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Governo de Benguela sem dinheiro para projecto turístico de referência

  • João Marcos

Benguela baía azul

Benguela baía azul

O Governo de Benguela está sem dinheiro para colocar estradas e sistemas de drenagem naquele que será o seu projecto hoteleiro de referência, na Baía Azul, já com 1.500 interessados.

Debaixo da crítica de empresários e de políticos em relação à pertinência face ao momento actual, o Executivo daquela província angolana insiste na procura de recursos para obras que atraiam o investimento.

Trata-se do Blue Ocean, desenhado para habitações de alto padrão, num total de 2.000, e zonas para restaurantes, hotéis e campos de golfe.

Dois anos após o início da venda de terrenos, o Governo não consegue dinheiro para a construção de estradas e sistemas de drenagem de águas pluviais e domésticas, para o desagrado de empresários que adquiriram espaços.

Victor Sardinha Moita, vice-goernador de Benguela

Victor Sardinha Moita, vice-goernador de Benguela

A empresa Horizonte Global, que monitoriza a comercialização, diz que o lado habitacional tem conhecido avanços, contrariamente ao que se verifica em relação ao sector comercial.

O técnico José Ferraz salienta que a água e a energia não serão problemas, mas admite que há expectativa quanto a outras infra-estruturas para os 1.360 hectares, que vão propiciar quase cinco mil lotes de terra.

“Estamos em cerca de 90 por cento em vendas (para habitações), mas não há grande expectativa em relação aos restaurantes, hotéis e comércio. São zonas que exigem mais investimentos, as coisas estão algo adormecidas’’, sustenta o técnico, que atira para o Governo a responsabilidade quanto à infra-estruturação.

Contas feitas, a venda de espaços rendeu já mais de mil milhões e 500 milhões de kwanzas, cerca de dez milhões de dólares.

Contactado pela VOA, o vice-governador provincial para o Sector Técnico e Infra-estruturas optou por não falar em números, mas avisou que as receitas não cobrem os 10 quilómetros de estradas necessários e os sistemas de drenagem.

Víctor Sardinha Moita lembra que a província teve de canalizar recursos para acudir as vítimas da tragédia de Março de 2015.

“Há dois anos, a Assembleia Nacional aprovou os projectos, mas os valores não foram disponibilizados. Continuamos a compactar o terreno até recebermos verbas para estradas e sistemas de drenagem das águas pluviais e domésticas’’, admite Sardinha.

Num cenário de aperto, com hospitais sem medicamentos, crianças fora do sistema de ensino e escassez de alimentos, o jurista Francisco Viena levanta outras questões:

“’Com tantos problemas que temos, nos domínios da educação, saúde, e electricidade, será que adianta pensar neste e em outros grandes projectos, com a cidade metropolitana incluída?’’, questiona aquele jurista em jeito de balanço dos últimos quatro anos de Governo do MPLA.

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