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Governo brasileiro encomenda estudo sobre custos de embaixadas em África

  • Redacção VOA

José Serra, ministro das Relações Exteriores do Brasil

José Serra, ministro das Relações Exteriores do Brasil

Analistas e políticos pedem ponderação em eventual decisão de encerramento de embaixadas abertas pelo antigo Presidente Lula.

O novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, solicitou um estudo sobre o custo de postos diplomáticos abertos nos Governos do PT na África e no Caribe nos últimos anos.

Desse total, estão sob a mira do Governo interino 17 embaixadas abertas por Lula da Silva nos países africanos.

Diplomatas ouvidos pelo Folha de São Paulo dizem que fechar alguns postos menores não resolve o problema financeiro do Ministério, já que uma embaixada pequena na África custa até 250 mil dólares por ano, enquanto uma representação diplomática importante como Lisboa, embora numa das cidades mais baratas da Europa, custa quatro milhões de dólares, sem incluir o pagamento de funcionários locais.

José Serra quer analisar o custo e a utilidade dos novos postos diplomáticos para, eventualmente, pedir o fechamento de alguns deles.

Reacções

"Um Governo que quer investir pesado no comércio no exterior precisa pensar duas vezes antes de fechar as suas embaixadas na África, um dos lugares mais dinâmicos da economia internacional", adverte Matias Spektor, colunista da Folha de São Paulo e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Entretanto, observadores acreditam que o encerramento de postos considerados menos relevantes pode querer indicar uma mudança de rumo na política externa brasileira.

O senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirma que a comissão vai se debruçar, neste ano, sobre a estrutura do Itamaraty.

"Vamos avaliar em que medida a estrutura e os recursos do Ministério são suficientes para suas necessidades", disse.

O senador reconhece não haver unanimidade sobre a política de abertura acelerada de embaixadas brasileiras no exterior, que ocorreu durante o Governo de Lula da Silva, mas ressalva que há custo político em fechar um posto, o que pode ser entendido como um arrefecimento de laços entre os dois países.

Por seu lado, o deputado Pedro Vilela, também do PSDB, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, avalia que, antes de fechar postos, há que verificar o impacto financeiro e político da medida.

"É preciso ter calma e nunca ir para os extremos”, concluiu.

O estudo será elaborado pelo próprio Ministério das Relações Exteriores.

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