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Governo brasileiro muda política de financiamentos públicos

  • Patrick Vaz

 Michel Temer

Michel Temer

Nomeação de nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) é apontada como sinal de mudança.

O Governo brasileiro começa a mudar a política de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) com a nomeação da executiva Maria Silvia Bastos Marques para a presidência daquele banco público.

Os principais financiamentos concedidos pelo banco às empresas que se destacavam nas suas áreas de actuação durante a gestão do Partido dos Trabalhadores não mais devem ter “privilégios”, de acordo com os especialistas.

O economista Paulo César Feitosa explica que essa antiga política de financiamento do BNDES gerou uma grande insatisfação de uma significativa parcela do empresariado brasileiro.

“Há necessariamente um interesse em mudar a política do BNDES que estava priorizando o que eles chamavam de “Os Campeões Nacionais”. Ou seja, os principais financiamentos eram todos concedidos àquelas empresas que se destacavam nos sectores de sua actuação. Isso deu muita margem a críticas, especialmente grande parcela dos menores empresários que se posicionaram contrários tanto ao Governo Lula da Silva quanto ao Governo Dilma Rousseff. Essa ideia dos “Campeões” deu margem a muitos questionamentos sobre possíveis práticas de corrupção”, disse Feitosa.

Com a executiva à frente do BNDES o Governo Federal espera mudar a forma de financiamento do banco, abrangendo mais o empresariado brasileiro para fechar acordos com preços mais acessíveis.

“A política agora altera e também altera o facto de que deverá ser feita alguma redução nos financiamentos que vinham sendo autorizados pelo banco para empreiteiras. Especialmente para que a gente tivesse condições de que nossas principais empresas vendedoras de serviços pudessem se financiar para ter condições de participarem com preços mais adequados e com maior grau de competitividade de concorrências internacionais para a realização de obras nas áreas de infraestrutura e serviços”, ressaltou o especialista.

A executiva

Moeda brasileira, real

Moeda brasileira, real

deve trazer uma contribuição significativa no mercado pelo perfil técnico e a experiência adquirida de acordo com o economista, mas ele faz um alerta ao modo como o BNDES realiza os seus financiamentos.

“É importante dizer que ela não apenas veio do mundo académico, como tem uma vasta experiência seja no sector público como também no sector privado. É um quadro com perfil técnico e ela pode trazer uma contribuição positiva. Acredito que o BNDES deverá voltar a financiar de modo mais amplo e mais geral o sector produtivo-privado especialmente nacional. Mas acho que deveria ser repensada essa questão do financiamento que hoje vem sendo muito criticada pelas grande empresas vendedoras de serviços, especialmente as grandes empreiteiras e construtoras do país”, concluiu Paulo César Feitosa.

Quem também compartilha esse pensamento é o economista Felipe Leroy, professor da Faculdade IBMEC, para quem o Governo Michel Temer está tentando acabar com a crise financeira ao usar profissionais mais capacitados para reverter essa crise.

“A maior preocupação é exactamente montar uma equipa económica de peso, com economistas ortodoxos, tentando dinamizar positivamente para o mercado e inclusive com a preocupação de resgatar a credibilidade perdida do Governo. A indicação da Maria Silvia Bastos Marques à presidência do BNDES é excelente. Uma economista de ponta e com vasta experiência na renegociação de dívidas do Brasil com o Fundo Monetário Internacional dentro do Governo Fernando Henrique Cardoso. E para presidir a casa neste momento um tanto quanto conturbado do ponto de vista político na minha concepção é um excelente nome. É uma equipa de peso e o mercado tem sinalizado positivamente. Esperamos melhoras no cenário econômico com a indicação dessa equipe”, frisou aquele economista.

O BNDES foi muito criticado durante os governos petistas por atribuir crédito principalmente para obras realizadas em países com uma relação priviligiada com o PT, como Angola, Cuba, República Dominicana e Gana.

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