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Governo angolano quer parceria com sociedade civil, mas organizações duvidam

  • Redacção VOA

Antonio Bento Bembe, secretário de Estado dos Direitos Humanos

Antonio Bento Bembe, secretário de Estado dos Direitos Humanos

Vontade manifestada pelo secretário de Estado dos Direitos Humanos, Bento Bembe, não convence representantes da sociedade civil.

O Governo angolano está disposto a estabelecer parcerias com as organizações não governamentais, revelou o secretário de Estado para os Direitos Humanos num fórum nacional de representantes da chamada sociedade civil realizada na segunda-feira, 31, em Luanda.

“Evocar a democracia pressupõe a existência de freios e contrapesos”, disse António Bento Bembe, garantindo que “a construção de uma sociedade plural, inclusiva, aberta e livre, capaz de proporcionar uma vida digna aoscidadãos, constitui um desafio do seu Executivo”.

Em reacção,o responsável da SOS Habitat, André Augusto, considera que a intenção manifestada por Bento Bembe não será efectivada enquanto existir uma determinação presidencial que coloca entraves à actividade das organizações da sociedade civil.

“Não é possível estabelecer parcerias com quem nos mata à fome”, advertiu Augusto.

Por seu turno, o responsável da organização não governamental Construindo Comunidades, padre Jacinto Wacussanga, entende que as promessas do Executivo, transmitidas pelo secretário dos Direitos Humanos, “é uma faca de dois gumes”.

Para o sacerdote católico, a atitude prática do Governo para com as organizações não governamentais “coarta as liberdades e iniciativas” destas, pelo que não se deve confiar nas declarações de Bento Bembe.

No entanto, no encontro, o secretário de Estado reconheceu que a função da sociedade civil é velar para que a sociedade adopte a abertura, a tolerância e a igualdade como valores que orientam as análises e concepções, a mentalidade e a formulação das politicas de desenvolvimento.

Para Bento Bembe, a discussão da liberdade de associação, de expressão e manifestação, o novo sistema judicial em Angola e a apresentação da estratégia de educação em direitos humanos, “são provas inequívocas da abertura do Executivo e o seu compromisso, permitindo uma discussão presidida pela urbanidade, rigor técnico e cientifico”.

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