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Golpistas do Mali ameaçados com intervenção militar

  • Anne Look

Malianos que apoiam o golpe de estado desfilam em Bamako, na quarta-feira, 28 de Março. A opinião pública do país está dividida, mas os países da região dizem que o golpismo será travado.

Malianos que apoiam o golpe de estado desfilam em Bamako, na quarta-feira, 28 de Março. A opinião pública do país está dividida, mas os países da região dizem que o golpismo será travado.

CEDEAO está a preparar uma "força de manutenção da paz" para derrubar golpistas se negociações fracassarem

A junta militar do Mali elaborou uma nova Constituição, face às ameaças dos líderes da África Ocidental de recorrerem à força para reinstaurar a democracia naquele país. Mas ao mesmo tempo, num gesto de desafio, o chefe dos golpistas foi nomeado presidente da República.

A opinião pública continua dividida entre apoiantes e adversários dos golpistas. Milhares de malianos desceram quarta-feira às ruas da capital, Bamako, em apoio dos golpistas que derrubaram o presidente há seis dias.

Um deles disse que que no Mali “não há democracia e que só o exército pode salvar o país da ineficácia e corrupção da classe política”. Adianta o jovem Ampoulo Boucoun que o "Mali não precisa de intervenção da França, nem dos Estados Unidos, nem dos países da África Ocidental, porque o exército vai restaurar a ordem".

Mas esta opinião não é unânime. Adversários dos golpistas estão a organizar uma greve geral em exigência do regresso ao regime civil. Moussa Doumbia, de Bamako, disse que a ideia é declarar a capital uma “cidade morta”, e fazer “todos os possíveis para que o golpe seja um fracasso.”

Os organizadores da greve dizem ser sua intenção paralisar a economia e mostrar à junta militar que não poderá governar sem o apoio do povo.

O golpe foi condenado inequivocamente em numerosas instâncias internacionais. O Mali perdeu fundos em assistência externa e foi suspenso das organizações regionais.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), advertiu que está a preparar uma força de paz ao mesmo tempo que envia uma delegação de seis chefes de estado ao país, para negociar o retorno imediato à ordem constitucional.

O presidente da Costa do Marfim e da CEDEAO, Alassane Ouattara, disse que o diálogo e o consenso serão os principais instrumentos para encontrar uma solução, mas que a organização “não hesitará” em recorrer a outras opções ditadas pelas circunstâncias.

As instâncias regionais não excluem a adopção de sanções, como a interdição de viajar, o encerramento do importante comércio fronteiriço com a Costa do Marfim, e a asfixia financeira através da supressão do franco CFA, a moeda da união monetária da África Ocidental de que o Mali faz parte.

A CEDEAO tem uma política de “tolerância zero” e mostrou-o na forte reacção aos golpes na Mauritânia, Guiné e Niger. A velocidade com que fez referência ao uso de força militar no Mali parece indicar que se prepara para fazer deste país um exemplo.

Entretanto, os golpistas instalam-se. Na terça-feira divulgaram uma nova Constituição que prevê a governação do país por uma comissão ad hoc. Essa comissão já foi formada e 28 dos seus 42 membros, ou seja dois terços, são militares.

As fronteiras foram reabertas e o recolher obrigatório levantado, dias após o golpe suscitado por oposição à campanha do presidente Touré contra os tuaregues no norte. Muitos malianos, memso os que estão contra o golpe, estavam frustrados com a falta de segurança no Norte que permitiu a traficantes de droga ligados à al-Qaeda instalarem-se no país.

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