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Desenvolvimento de milhões de crianças limitado por falha dos governos


Existem falhas entre o que pode ser feito, e aquilo que tem sido feito

Um novo estudo revela que milhões de crianças no mundo estão limitadas nas suas possibilidades por falha dos governos em aprovar as medidas adequadas nas áreas que são vitais para um desenvolvimento saudável.

O estudo sublinha que esta situação é particularmente verdadeira em África, onde existem falhas entre o que pode ser feito, e aquilo que tem sido feito.


O relatório divulgado esta quarta-feira pelo Centro de Analise da Política Mundial, um centro localizado na Universidade da Califórnia que estuda políticas sociais e económicas, sustenta que embora muitos países tenham feito grandes progressos, no que diz respeito à melhoria da vida das crianças, não tem sido feito o necessário.

Jody Heyman é a directora do Centro e principal autora do relatório. Ela e a sua equipa de pesquisadores levaram sete anos a recolher os dados em 193 países.

Heyman sustenta que muitos países têm feito grandes progressos na melhoria do bem-estar das crianças, mas que o objectivo deve residir agora não apenas ver a criança sobreviver, mas igualmente vê-la desenvolver.

Heyman acrescenta que isto inclui escolaridade de qualidade e a custos favoráveis, a aplicação das leis sobre trabalho infantil, adoptando medidas que permitam aos pais sustentar os filhos, e promover políticas de igualdade de direitos e anti descriminação, especialmente para as raparigas e as crianças deficientes.

A aplicação destas medidas depende da acção dos governos como no caso da instrução primária.

Na África subsaariana, por exemplo, mais de 60 por cento dos países ainda não pagam a instrução secundaria.

Esta situação força muitos estudantes, em particular os pobres e os marginalizados a abandonar a educação após a escola primaria.

A aplicação destas iniciativas nem sempre é fácil, especialmente nos países em desenvolvimento, onde os governos enfrentam com frequência desafios políticos e financeiros.

Nos casos em que o financiamento é preocupação, Heyman destaca que existem muitas políticas que podem melhorar as oportunidades das crianças que não acarretam custos.

Refere ela que um exemplo concreto é o casamento da criança, que constitui uma enorme barreira para as raparigas concluírem o ensino secundário.

Heyman indica ainda que os dados recolhidos demonstram que no caso de os países aplicarem as medidas necessárias, como a idade mínima para o casamento, é possível assistir, dentro de poucos anos, a grandes transformações no bem estar das crianças
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