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Glaúcia Nogueira resgata a história com “Cabo Verde e a música – um dicionário de personagens”

  • Amâncio Miguel

Gláucia Nogueira, jornalista e investigadora brasileira

Gláucia Nogueira, jornalista e investigadora brasileira

A música de Cabo Verde “é um campo ainda virgem, com muito assunto ainda não investigado", diz a jornalista e antropóloga.

“Estou bastante contente, porque foi um trabalho que demorou cerca de 20 anos”. Quem assim fala é Glaúcia Nogueira, jornalista brasileira que acaba de lançar o livro “Cabo Verde e a música – um dicionário de personagens”.

O livro tem dados sobre 964 personalidades da música de Cabo Verde, incluindo as que muitas vezes são ofuscadas pelos cantores. Construtores de instrumentos, professores, regentes, compositores, instrumentistas, produtores são destacados.

A autora diz que “é interessante resgatar muitas memórias de artistas para que fique registado para as novas gerações”.

O livro não faz referência apenas a artistas mais velhos. Nogueira foi aos arquivos – jornais, discos e outras publicações – e vasculhou o período que vai desde o final do século XIX à actualidade.

Encontrar material não foi tarefa fácil. Por exemplo, conta ela, foi fácil ter muita informação sobre figuras como B. Leza, Eugénio Tavares, Vasco Martins, Manuel de Novas ou Cesária Évora, mas há outros sem muitos dados.

“Tenho a noção de que é um livro um tanto ou quanto inacabado ...até há pessoas que reivindicam uma segunda edição com mais pormenores”, diz a jornalista, que estudou antropologia e dedica-se ao património cultural, com partilhar interesse na música.

Nem sempre a música é levada a sério

Cabo Verde, tal como outros países africanos de língua portuguesa, não tem larga tradição de documentação sobre música, o que leva Nogueira a afirmar que o seu livro “é uma contribuição, mas não fecha a lacuna, porque em qualquer área de investigação há sempre um outro olhar.”

A música de Cabo Verde “é um campo ainda virgem, com muito assunto ainda não investigado,” diz a jornalista, que ressalva que trabalhos do género são recentes em muitas partes do mundo, porque “nem sempre a música é levada a sério”.

Para esta autora, a área carece do apoio de ministérios da cultura, porque “a memória de qualquer povo é um património muito importante”.

O livro Cabo Verde e a música – um dicionário de personagens” está disponível em Português. Nogueira gostaria de ter uma edição em Inglês, mas isso “já não depende de mim. Teria que haver uma editora”.

Enquanto isso não acontece, ela faz o seu doutoramento em Coimbra, Portugal, e a música de Cabo Verde está na sua mira.

Acompanhe a entrevista:

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