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A "gasosa" e a corrupção em Angola

  • Coque Mukuta

Um fenómeno endémico que a Polícia quer combater.

O anunciado combate à conhecida “gasosa” (corrupção) na Polícia de Luanda debateu-se, de entrada, com uma prática recorrente.

Entre os novos agentes contratados, alegadamente para substituir os “corruptos”, dois foram expulsos ao entraram na corporação dispostos a manter a cobrança da “gasosa”.

Em cerimónia divulgada na sexta-feira, 16, e realizada perante dezenas de outros colegas, dois agentes da Unidade Operativa de Luanda supostamente apanhados a coagir automobilistas pedindo a célebre "gasosa" foram expulsos, por despacho do comandante-geral da Polícia Nacional, Comissão Chefe, Ambrósio de Lemos.

Eles teriam "coagido automobilistas a entregarem 1500 kwanzas, correspondentes a nove dólares norte-americanos, sob pena de apreensão da documentação e viatura".

O comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional, comissário chefe António Maria Sita, prometeu, numa mensagem para o interior da corporação, o mesmo tratamento a todos os agentes que forem detetados na mesma prática.

Em reacção a esta medida da policia nacional, o jurista José Francisco Lumango considera que ela que visa disciplinar os agentes de trânsito, mas condenou a exposição de imagens dos referidos agentes, fazendo notar que a Procuradoria-Geral da Républica já havia repudiado esta postura da corporação.

“Há dois anos para cá, a Procuradoria Geral da República já se tinha pronunciado sobre isso, na medida em que por apenas suposições não há necessidade de se expôr a imagem desses cidadãos porque viola o direito de imagem e do bom nome”, disse Lumango.

Já o sociólogo Carlos da Conceição afirma que a corrupção em Angola não se combate com a punição de simples agentes porque ela é endémica e que a policia está a punir quem não consegue se defender.

“A questão da corrupção não se combate com actos isolados, a expulsão deste dois agentes não significa o combate efectivo da corrupção, que é uma questão endémica”, argumentou o sociólogo que denunciou práticas semelhantes no Ministério do Interior e no seio dos comandantes da polícia.

“Temos outros casos mais graves. Existem casos de comandantes envolvidos em corrupção. Isso é para o inglês ver porque estão a sacrificar quem não consegue se defender”, concluiu.

Recorde-se que em Maio último, os cidadãos angolanos elegeram o Ministério do Interior como o órgão mais corrupto do país, de acordo com um relatório publicado pelo Centro de Integridade Pública de Angola.

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