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Garimpo ilegal provoca confrontos entre zimbabueanos e moçambicanos em Manica


Ouro em Manica(Arquivo)

Ouro em Manica(Arquivo)

Zimbabueanos deportados e nacionais estimulados a criar associações legalizadas.

André Baptista

A violência nas minas moçambicanas onde decorre a extracção ilegal de ouro continua a atingir níveis “inaceitáveis”, com frequentes confrontos entre garimpeiros moçambicanos e zimbabueanos.

Na semana passada, uma nova operação da Polícia deteve 27 garimpeiros, nove dos quais do Zimbabue, prontamente repatriados, subindo para 130 o número de zimbabueanos extraditados nos últimos três meses na província de Manica.

“A violência é o problema mais grave no garimpo aqui”, precisou Cândida Lucas, administradora moçambicana da Reserva Nacional de Chimanimani, uma importante área de conservação transfronteiriça do distrito de Sussundenga (Manica) e, em simultâneo, do distrito da província de ManicaLand (Zimbabué).

Lucas assegurou que 80 por cento dos garimpeiros que actuam ilegalmente na extracção de ouro no parque são de origem zimbabueana e da etnia Muchurugo, largamente conhecida pelo nível de agressividade e unidade para lutas em grupos.

Esta região é desde há alguns anos palco de conflitos entre garimpeiros moçambicanos e zimbabueanos e entre estes e as autoridades policiais, em torno da exploração de ouro, muitas vezes ilegal.

Em Fevereiro, garimpeiros moçambicanos e zimbabueanos juntaram-se contra uma operação da Polícia Ambiental, recentemente instituída, para impedir a violência e extracção ilegal de ouro, provocando uma revolta que saldou em três garimpeiros mortos por tiros, dezena de feridos, incluindo agentes da corporação e centenas de detidos.

Belmiro Mutadiua, porta-voz do comando da Polícia de Manica, reconheceu a resistência e a gravidade da acção dos ilegais em vários focos de garimpo na província e garantiu que muitos esforços estão em curso para combater o fenómeno e reduzir a violência nas minas.

“Já estamos a fazer o nosso trabalho, inclusive já foi possível numa operação deter 27 garimpeiros ilegais, e foi apreendido o mineral que estavam a extrair, bem como o instrumento que usam para o garimpo”, declarou Mutadiua, sustentando ter sido criada uma equipa multissectorial para “atacar” o problema.

Entretanto, revelou que as operações da Polícia têm reduzido, ainda que de forma tímida, enquanto decorrem a sensibilização de garimpeiros nacionais para constituírem associações legais.

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