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Futuro de Dhlakama em discussão

  • Ramos Miguel
  • João Santa Rita

Aventa-se a possibilidade de receber titulo honorário no Estado e mesmo dentro do seu partido

Afonso Dhlakama deve receber do Estado uma posição honorífica para garantir a estabilidade da Renamo e do país, defenderam dois analistas moçambicanos ouvidos pela VOA.

Esta possibilidade surge numa altura em que, segundo dados preliminares, tudo aponta para mais uma derrota do presidente da Renamo nas eleições em Moçambique. Correntes de opinião, mesmo dentro da própria Renamo, apontam que talvez tenha chegado o momento de Dhlakama se afastar da liderança do seu partido.

Fernando Nhantumbo, da Liga Juvenil da Renamo, diz ser da opinião de que Afonso Dhlakama deve abandonar a presidência da Renamo, de modo a que se possa revitalizar o partido.

Mas para o professor Calton Cadeado, especialista em relações internacionais e segurança, do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, tendo em conta que a Renamo depende muito de Afonso Dhlakama, afastá-lo da liderança do Partido e tentar colocá-lo como presidente honorário, como defendido por alguns, pode ser um exercício perigoso.

Segundo aquele académico, a Renamo como estrutura está fragilizada e ela depende muito da figura do seu líder, Afonso Dhlakama, que mesmo fragilizado em termos de liderança é o nome que garante a sobrevivência do partido.

Cadeado fez notar que, no passado, quando a Renamo teve pessoas com capacidade de garantir a vitalidade do partido, "o líder foi um obstáculo”.

“Estou a falar de figuras como Manuel de Araújo, actual Presidente do Município de Quelimane, de Ismael Mussá, deputado independente e do próprio Daviz Simango, que estiveram na Renamo para dar uma certa energia, mas tiveram a resistência e o obstáculo do estilo de liderança de Afonso Dhlakama, e essas pessoas saíram e foram revitalizar um outro partido", explicou.

Por seu turno, o analista político Salimo Abdula considera que o Governo deve encontrar formas de acomodar Afonso Dhlakama, para o bem da nação, colocando-o como presidente honorário, ao nível do Estado.

"Penso que esta é uma boa forma de acomodar o líder da Renamo, sobretudo em reconhecimento do seu papel na democratização deste país”, realçou o analista.

Por sua vez, António Gaspar, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que a derrota eleitoral a confirmar-se “não é o fim” de Dhlakama que “ continua a ser importante” para a Renamo.

António Gaspar, analista de Moçambique

António Gaspar, analista de Moçambique

“Há ideias muito claras para se passar a olhar para o segundo candidato mais votado com um certo estatuto reconhecido pelo Estado,” disse Gaspar.

“O futuro de Afonso Dhlakama está mais tranquilo do que no passado”, acrescentou o analista que fez notar também o facto de o líder da Renamo ser "filho de autoridades tradicionais” que “com carimas e charme” preenche um vazio para “aqueles que não cabem na Frelimo e no MDM”.

O jornalista e analista Fernando Lima, por seu turno, pensr que Dhlakama vai continuar a liderar a Renamo “dada a capacidade que ele tem de mobilizar as pessoas dentro do seu próprio partido”

Fernando Lima, jornalista de Moçambique

Fernando Lima, jornalista de Moçambique

“Quando tantos vaticinavam a sua morte política o facto mais saliente destas eleições foram os comícios que Afonso Dhlakama fez neste período de campanha e que nenhum outro candidato arrasta tanta gente”, disse Lima

"Ele é uma pessoa muito carismática e tem uma capacidade de diálogo com a população que os outros dois candidatos não têm, acrescentou.

A concretizar­se, esta será a quinta derrota de Afonso Dhlakama, que, na opiniao de Salimo Abdula, fica a dever­-se ao facto de lhe ser colocado constantemente o papel de guerreiro constante e de ter feito a campanha eleitoral numa situação de desvantagem, relativamente aos seus adversários mais directos.

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