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Frelimo sob pressão para discutir sucessão de Armando Guebuza

  • Ramos Miguel

Armando Guebuza

Armando Guebuza

Reunião do Comité Central do partido no poder em Moçambique reúne-se amanhã sem o assunto na agenda

Em Moçambique, as pessoas insistem em que a sucessão de Armando Guebuza na presidência da Frelimo será um dos pontos mais importantes a debater na sessão do Comité Central deste partido, a iniciar-se amanhã, 26, na Matola, mas a cúpula partidária diz que isso está fora de questão.

Várias correntes de opinião, algumas das quais no interior da própria Frelimo, defendem que o actual Presidente do Partido, Armando Guebuza, deve entregar o poder a Filipe Nyussi, de modo a que possa ser mais autónomo na tomada das suas decisões como Chefe de Estado.

As mesmas fontes argumentam que é preciso respeitar a tradição de a presidência do Partido ser detida pelo Chefe de Estado, como forma de assegurar a unicidade da direcção do Estado.

Para o sociólogo Luís Mungoi, neste momento não faz sentido realizar uma sessão que não discuta esta questão, realçando que, honestamente, não é “capaz de pensar numa reunião do Comité Central da Frelimo, nesta fase, que não discuta a sucessão de Guebuza na presidência do partido".

Entretanto, o porta-voz da Frelimo, Damião José, reiterou que, neste momento, Armando Guebuza "está a cumprir um mandato que lhe conferido pelo décimo congresso do Partido, e pelos nossos estatutos, naturalmente, no décimo primeiro congresso termina o seu mandato, e, nessa altura, o congresso será soberano de decidir se vai reeleger o camarada Armando Guebuza para continuar a dirigir os destinos do nosso partido ou então vai eleger um novo presidente".

A mesma afirmação havia sido feita há dias pelo Secretário-Geral da Frelimo Eliseu Machava referindo que a sucessão de Armando Guebuza não constava da agenda da sessão que começa amanhã, na Matola.

O decano dos jornalistas moçambicanos, Paul Fauvet, diz que as pessoas têm memória curta, recordando que quando Armando Guebuza tomou posse, em Fevereiro de 2005, como Chefe de Estado, Joaquim Chissano ainda era presidente da Frelimo, e que em Março do mesmo ano, houve uma sessão do Comité Central do Partido.

Segundo Fauvet, antes do início dessa reunião, os jornalistas perguntaram se Guebuza iria assumir também a presidência da Frelimo e a resposta foi a de que a questão da sucessão de Chissano não fazia parte da agenda, "mas algumas horas depois, a agenda foi alterada, exactamente, para incluir a saída de Chissano, que acabou demitindo-se, sendo depois Armando Guebuza eleito Presidente do Partido.

Segundo Damião José, o Comité Central da Frelimo vai avaliar o trabalho da Comissão Política, da bancada parlamentar deste Partido, o decurso do processo eleitoral do ano passado e a proposta de plano do governo para os próximos cinco anos.

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