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Eduardo Namburete: Frelimo renega acordo de cavalheiros para resolver a crise pós-eleitoral

  • Redacção VOA

Afonso Dhlakama, Daviz Simango e Filipe Nyusi

Afonso Dhlakama, Daviz Simango e Filipe Nyusi

Decisão será tomada pela população diz a Renamo.

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, renegou o acordo de cavalheiros entre o presidente Filipe Nyusi e o principal líder da oposição, Afonso Dhlakama, para ajudar a resolver a disputa em torno da eleição do ano passado, disse Eduardo Namburete, chefe de relações externas da Renamo, partido da oposição.

A oposição recusou aceitar a eleição de Nyussi e rejeitou a votação alegando que o processo foi repleto de irregularidades e fraude, apesar de ter sido confirmado pelo Tribunal Supremo como Presidente.

Em protesto, os deputados da oposição recusaram ocupar os lugares na Assembleia da República. Namburete disse que os deputados da oposição retornaram ao parlamento depois do acordo de cavalheiros entre o líder da oposição e Nyussi.

“Como forma de resolver esta crise política, propusemos que deveria nos ser dada a oportunidade de governar nas províncias onde tivemos a maioria de votos. Durante o encontro entre Afonso Dhlakama e o Presidente Nyussi, foi acordado que essa seria a possível solução da crise eleitoral e o Presidente [Nyussi] sugeriu que Dhlakama deveria submeter o projecto ao Parlamento e seria discutido a partir dai”, disse Namburete.

Para nossa surpresa, continuou Namburete, no parlamento, o partido no poder não se dignou a debater o projecto, limitando-se a votar contra, “pelo que não há nenhuma discussão em curso de momento”.

Aquele responsável do partido de Dhlakama refutou notícias de que a Renamo pretende desestabilizar o país.

Ele sublinhou que quem foi derrotado não foi a Renamo, mas sim a vontade do povo, em especial o do Centro e Centro e Norte, que pretendia ser governado pelo partido no qual votou.

Perante o cenário, Eduardo Namburete disse que Dhlakama emitiu um ultimato ao Governo para cumprir com o acordo ou ter um encontro com ele para resolver o impasse. Tal indica que num período de dois meses a Frelimo deverá reconsiderar a sua posição antes da tomada de outras medidas pela Renamo e pelo povo.

Namburete nega que a oposição esteja a propor uma guerra. “As pessoas estão a interpretar muito mal a nossa posição. Estamos é a dizer que não iremos cruzar os braços, esperar e apenas ver as coisas a acontecerem. É claro que a decisão final será da população. Se a população decidir que não quer um governo da Frelimo nas províncias onde a Renamo ganhou, então vai tomar essa decisão", reiterou.

Namburete disse que o governo poderá criar tensão se reprimir os protestos nos redutos da oposição. “A segurança da Renamo não irá limitar-se a assistir, vai reagir”, concluiu.

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