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Militares acusados de violações sexuais na Gorongosa

  • André Baptista

Mercado em Gorongosa

Mercado em Gorongosa

Mulheres e crianças vítimas de membros do exército moçambicano.

A população da Casa-Banana, no interior da Gorongosa, Moçambique, denunciou abusos sexuais contra mulheres e crianças por militares governamentais, mantidos na região desde a eclosão do conflito político-militar entre o governo e a Renamo em 2013.

Um ano após a assinatura do Acordo de Cessão de Hostilidades, em vigor desde 5 de Setembro de 2014, homens armados da Renamo e Forças de Defesa e Segurança - que tem montado várias cancelas na estrada que liga a vila de Gorongosa a Casa-Banana – ainda mantém posições na região, largamente atingido pelos confrontos terminados recentemente.

“As mulheres vão ao rio para tomar banho e os militares entram lá (onde geralmente acontecem as violações)”, acusa Feliz Candeado, adiantando que as forças posicionadas no cruzamento entre Piro e Casa-Banana tem estado a provocar desmandos.

A população disse que os militares – a maioria usando farda da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) – tem entrado nas comunidades e provocado desmandos, ameaçando de tortura ou morte a quem reagir às suas acções.-

Muitas vezes, dizem as memas fontes, eles violam sexualmente as mulheres quando tomam em banho nos riachos.

“São militares do Governo. Quando entram (nos povoados) começam a vingar e as pessoas têm medo. Com isso nós não estamos em paz. Basta qualquer discussão, eles correm para o quartel onde pegam armas e querem matar", revela Feliz Candeado.

Ainda segundo contou, “quando vão aos rios não pedem licenças e as mulheres geralmente tomam banho nuas, é quando eles se aproveitam da situação", diz, para concluir, que "muitas vezes violam as nossas filhas".

Já Baltazar Pita, outro morador de Casa-Banana, acusa as forças posicionadas no cruzamento entre Piro e Casa-Banana, não distante da povoação do bairro da Pista de estar a provocar desmandos.

Não raras as vezes, prosseguiu, os militares estatais bebem e não pagam as contas, sob ameaça de prisão ou morte para quem exigir o pagamento.

As populações queixam-se de não ter a quem recorrer

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