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FMI e Governo angolano regressam à mesa de negociações

  • Manuel José

Executivo confiante em regressar ao mercado, economistas desconfiam da vontade real do Governo.

Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) encontra-se desde esta quinta-feira, 3, em Luanda, parauma nova ronda de negociações com o Governo angolano e que deverá prolongar-se até o dia 17.

Na mesa das negociações, estarão, entre outros temas, atrasos nos pagamentos do Estado angolano, a situação da banca nacional e a dívida pública do país.

Economistas estão divididos quanto ao desfecho das conversações.

Lopes Paulo, economista do Executivo, acredita que no fim das conversações o Governo possa ter luz verde do FMI para ir à busca de novos empréstimos.

''O país tem ou não sustentabilidade quanto aos empréstimos que possui ou pretende tomar, uma garantia aferida pelo FMI em como as reservas têm um bom nível e permite este enquadramento, seguramente coloca Angola numa posição privilegiada para ir buscar novos empréstimos'', defende.

Outro economista próximo do Governo, Rui Malaquias, pensa que o regresso do FMI ao país indica a abertura do Executivo para resolver questões económicas.

''Isto mostra que o nosso Executivo está aberto a todas opiniões técnicas para que seja possível fazer a manutenção do nosso serviço da dívida e posteriormente continuar a aceder aos mercados sempre que necessário'', advoga.

Por seu lado, o especialistae deputado pela CASA-CE Manuel Fernandes adverte que toda negociação que o Governo fizer corre o risco de fracassar se este não for transparente.

''O Executivo é alérgico às regras de monitoria do FMI, as negociações passadas fracassaram porque o Governo fugiu de submeter-se a regras deste órgão, há uma gestão despesista e não sabe dizer onde colocou os 130 mil milhões de dólares do diferencial do fundo petrolífero, o Estado está completamente empobrecido, o país não tem dinheiro, mas vemos lá fora pessoas ligadas ao Presidente da República nas listas de bilionários de África”, acusa.

Outro economista, Precioso Domingos, diz que a questão dos bancos correspondentes e a suspensão de dólares dos bancos norte-americanos poderão ser temas fortes nestas conversações.

''Não sei se a este respeito o Governo angolano vai vitimizar-se no sentido de haver ingerência externa ou mesmo ataques dos americanos à soberania angolana, tal como já ficou a impressão aquando do discurso do Chefe de Estado sobre o estado da Nação e por isso Angola possa enveredar por outros mercados como a União Europeia, para depois adoptar outras moedas como a chinesa, que não vejo muito sentido'', questionou Domingos.

A agenda de negociações divulgada pelo Ministério das Finanças indica que a delegação do FMI, chefiada pelo economista brasileiro Ricardo Velloso, prevê discutir com as autoridades angolanas a evolução do quadro fiscal e da dívida pública, bem como "os últimos desenvolvimentos do setor bancário" ou os pressupostos para Orçamento Geral de Estado (OGE) para o ano fiscal de 2017.

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