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Fluxos ilícitos causam perdas acima dos 6 triliões de dólares


Photo de Tracy Olson via Flickr

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Os países pobres perdem todos os anos mais dinheiro devido à corrupção e evasão fiscal. Um relatório agora divulgado considera aquelas perdas como uma causa estrutural da pobreza extrema.

Segundo a organização sem fins lucrativos Global Financial Integrity, GFI, os países em desenvolvimento perderam 6,6 triliões de dólares entre 2003 e 2012. De acordo com Eric LeCompte da Jubilee USA Network, trata-se e um problema que está a crescer a um ritmo de 9,5% ao ano.

“Os fluxos financeiros ilícitos dizem respeito aos montantes que saem dos países sem serem submetidos a impostos. Regra geral esse dinheiro corresponde a evasão fiscal ou a práticas de corrupção”, afirma LeCompte.

Segundo a GFI só em 2012 perderam-se 991 mil milhões de dólares em fluxos ilícitos.
A Jubillee USA Network é uma coligação de 75 organizações americanas que defende reformas financeiras globais para aliviar a divida dos países pobres.
LeCompte afirma que apesar dos actuais esforços e de declarações dos países dos grupos G-7 e G-20, o problema persiste.

De acordo com LeCompte, “a quantidade de dinheiro que está a sair de alguns dos países mais pobres do mundo corresponde a 11 vezes o montante que recebem em ajuda.”

LeCompte refere por outro lado que os fluxos financeiros ilícitos estão a fazer piorar ainda mais a situação na África Ocidental que se debate com uma epidemia de Ébola.

“Os três países afectados, Serra Leoa, Guiné Conacri e Libéria, estão a perder mil e 300 milhões de dólares por ano devido a esses fluxos. Isso compara-se ao orçamento de menos de 300 milhões de dólares anuais destinado ao sector da saúde.”

LeCompte acrescenta que mesmo alguns países do grupo G-20 estão a ser afectados pelo problema: “De acordo com o recente relatório da Global Financial Integrity, os 5 principais países que estão a perder dinheiro devido aos fluxos ilícitos entre 2003 e 2012 são a China, a Rússia, o México, a Índia e a Malásia.”

A Jubilee USA e os seus parceiros vão continuar a defender a criação de mecanismos de transparência financeira em Julho que vem na conferência internacional sobre finanças e desenvolvimento em Adis Abeba.

Defenderão também a ideia de inclui-los nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentáveis que sucedem aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Se as medidas tiverem sucesso, dizem, os países em desenvolvimento teriam milhares de milhões de dólares adicionais todo os anos para investir na saúde, infraestruturas e educação.

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