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"Financial Times" ataca elite política angolana

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FT diz que oligarcas angolanos dão gorjetas de 500 euros em restaurantes de luxo em Lisboa enquanto uma em cada seis crianças do país morre antes dos cinco anos.

Um artigo do jornal britânico Financial Times(FT) acusou na Sexta-feira, 6, os dirigentes angolanos de formarem uma elite indiferente à pobreza da população. Para um dos mais importantes diários de economia a nível mundial, Angola é uma "cleptocracia".

No texto assinado por Simon Kuper "Porque o Ocidente adora um cleptocrata", lê-se que "os oligarcas deixam gorjetas de 500 euros nos restaurantes da moda em Lisboa, enquanto cerca de uma em cada seis crianças angolanas morre antes de completatar cinco anos".

"Mesmo pelos padrões dos Estados petrolíferos, Angola é quase risivelmente injusta", continua o articulista, para quem "os oligarcas angolanos habitam a economia do luxo global das escolas públicas britânicas, dos gestores de activos suíços, das lojas Hermès, etc".

O artigo do FT surge na sequência do lançamento em Londres na passada terça-feira, 3, do livro "Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War", do professor de Oxford Ricardo Soares de Oliveira.

"Por trás de cada magnata angolano há uma equipa de gestão maioritariamente portuguesa", que não se preocupa com as consequências da sua gestão, "por isso os estrangeiros bombam petróleo, fazem luxuosos vestidos e constroem aeroportos sem sentido no meio do nada", lembra o texto, citando o livro de Soares de Oliveira, que é referido como tendo reparado em fortes contrastes na sociedade angolana.

"A classe dirigente consiste largamente numas poucas famílias de raça mista da capital, Luanda, que considera que os cerca de 21 milhões de angolanos negros no mato ou musseques são imperfeitamente civilizados, e com pouco desejo para os educar", continua Simon Kuper, lembrando ainda que "são os expatriados que fazem a economia angolana mexer, desde as consultoras que ajudam a definir a política económica até aos bancos que financiam os negócios."

Kuper "atira-se" também aos Governos ocidentais, que, segundo ele, aceitam a cleptogracia angolana com quem fazem negócios sem olhar ao contexto político do país.

"A elite fez a festa durante o crescimento do petróleo, conclui o artigo, segundo o qual "o provável impacto no regime do colapso nos preços é pouco, porque só se está a alimentar uma pequena percentagem do povo, 50 dólares por barril chega e sobra".

Numa entrevista à VOA na passada Quarta-feira, 4, o autor do livro "Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War", Ricardo Soares de Oliveira considerou que Angola tem de diversificar a sua economia urgentemente para não hipotecar o seu futuro.

Para Soares de Oliveira, o crescimento económico de dois dígitos da última década contribuiu para a melhoria do país, mas não teve o impacto que podia ter na estruturação da ecomomia, embora o país vá a tempo de mudar o rumo da sua política económica.

Ricardo Soares de Oliveira é o convidado do programa Agenda Africana, da VOA, na próxima Quarta-feira, 11 de Março.

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