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Filhos de Savimbi dizem que imagem do pai em jogo de vídeo é de um "bárbaro"

  • Redacção VOA

Savimbi em Call Of Duty como "bárbaro"

Savimbi em Call Of Duty como "bárbaro"

Tribunal francês deve pronunciar-se no dia 24 de Fevereiro.

Familiares do fundador e antigo líder da Unita Jonas Savimbi e a empresa que produziu o jogo de vídeo Call of Duty, Activision Blizard, esgrimiram argumentos nesta quarta-feira num tribunal de Nanterre, na sequência de uma denúncia feita pelos filhos do líder histórico do partido do galo negro.

No processo, os filhos de Savimbi exigem uma reparação do nome do pai no valor de um milhão de dólares pelo que chamam de “utilização abusiva” da sua imagem.

Em declarações à AFP, Aleluiah Savimbi disse que “as cenas são muito violentas”.

“É um jogo de guerra. Há imagens onde apunhalam pessoas. Há imagens onde cortam braços a pessoas. As palavras são também muito violentas. Dizem coisas como: ´é preciso eliminá-los, é preciso acabar com eles”, continua o filho de Savimbi, para quem “não são imagens do papá, são imagens de um bárbaro”.

Aleluia Savimbi dizer ser “inaceitável, daí esta acção judicial de modo a compreendermos qual a razão”.

Outro filho de Jonas Savimbi, Cheya Savimbi, também em declarações à AFP, narra que o pai “é reduzido a um guerreiro, coisa que não era”.

"O papá era essencialmente um homem politico. É isso que nos choca , a sua imagem no jogo vídeo do Activision”, reitera Cheya Savimbi.

A advogada da família Savimbi reforça a ideia de que “hoje em dia qualquer um pode ir parar a um jogo de vídeo, usando o seu nome sem autorização”.

"Trata-se de design virtual, como se se tratasse de um filme, mas num mundo imaginário", sublinha Carole Enfert.

Do lado da Activision Blizzard, a advogada Etienne Kowalski refutou as acusações, considerando que Savimbi está representado como um bom pessoa.

“Ele é o bom que ajuda o herói A personagem do jogo traduz com fidelidade o papel que Jonas Savimbi desempenhou em Angola, líder de um movimento de guerrilha que combateu o MPLA", assegura Kowalsky.

O capítulo Black Ops II do Call of Duty utiliza a imagem de Savimbi numa missão no Cuando Cubango, em 1986, no auge da guerra civil angolana, em que o líder da Unita ajuda o herói Alex Mason a resgatar um agente da CIA.

O tribunal de Nanterre deve pronunciar-se sobre o caso no próximo dia 24.

A popular saga bélica Call of Duty, que já vendeu mais de 250 milhões de exemplares em todo o mundo desde a sua criação em 2003, é conhecida por usar figuras históricas, com os seus nomes verdadeiros.

No mesmo jogo em que aparece Savimbi, o antigo presidente do Panamá Manuel Noriega é retratado como um sequestrador, assassino e inimigo do Estado.

Em 2014, familiares de Noriega recorreram à justiça americana que não aceitou o caso.

Em 2010, as autoridades cubanas também protestaram junto da empresa por um capítulo em que havia um plano para assassinar Fidel Castro, sem qualquer resultado.

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