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Ferguson despede-se de Michael Brown e quer regresso à calma

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Mãe de Michael Brown a caminho do funeral.

Mãe de Michael Brown a caminho do funeral.

Pai do jovem assassinado pela polícia pediu a suspensão de protestos durante o funeral.

A cidade de Ferguson, no Estado americano de Missouri, acompanhou na final da manhã de hoje, 25, o funeral do jovem afro-americano Michael Brown, assassinado a 9 de Agosto por um agente da polícia.

Seguiram-se duas semanas de violentos protestos e enfrentamentos entre populares e autoridades com a Guarda Nacional e o procurador-geral da República a serem chamados para repor a ordem numa pacata cidade que voltou a colocar o racismo em, debate nos Estados Unidos.

Familiares, políticos e populares marcaram presença no funeral, assim como vários dirigentes dos direitos cívicos, incluindo o reverendo Al Sharpton, que proferiu o elogio fúnebre.

A Casa Branca enviou três representantes ao funeral.

Em antecipação ao serviço religioso o pai do jovem Michael Brown Sr. apelou à calma solicitando que os protestos parassem durante a cerimónia.

Apesar da forte presença policial, muitos manifestantes que realizaram vigílias em Ferguson, onde ocorreu a 9 de Agosto o incidente, horaram o pedido.

Os habitantes de Ferguson querem agora reconstruir uma comunidade dilacerada pela violência racial.

Tony Davis, pastor da Igreja Baptista Fé na Família, não se cansa de fazer apelos.

"Não importa a raça, religião ou credo, tem de haver reconciliação, porque sob nenhuma condição devemos manter-nos separados. Nós temos que aprender a conviver juntos."

Aquele líder e membros da sua igreja têm vindo a espalhar a mensagem do amor em vez do ódio. Ao mesmo tempo, oram pela paz, na tentativa de construir uma comunidade mais forte.

Thomas Nellums, um dos membros da Igreja Baptista Fé na Família, diz que mais afro-americanos têm de participar no processo político local: "Se nos unirmos, podemos conquistar tudo o que quisermos. Creio que temos de levar mais pessoas a se registarem para votar, para que a sua voz seja ouvida sobre as coisas de que não gostam e que estão a acontecer."

Nos últimos dias, a paz voltou às ruas. O comércio voltou a abrir e alguns moradores manifestam o sentimento de esperança de que as tensões raciais irão diminuir.

Kesha Nelson, do comité da juventude da Associação Nacional para Integração de Pessoas de Cor (NAACP) afirma querer inspirar jovens a se tornarem advogados e profissionais.

"Espero que as pessoas se curem, e cura significa amar e obter informações para que os jovens tenham mais postos de trabalho e com uma maior qualidade de vida”, afirma Kesha Nelson

Apesar dos discursos dos líderes, nas ruas de Ferguson existe ainda muito ódio e raiva na sequência do assassinato do jovem de 18 anos Michael Brown.

A juíza Carolyn Whittington revelou que o Grande Júri que vai julgar o caso é composto por nove pessoas brancas e três negras, de acordo com a demografia do condado de St. Louis, onde 70% da população é branca.

No entanto, a pequena cidade de Ferguson onde o jovem foi morto apresenta uma composição diferente, com uma maioria de dois terços de afro-americanos.

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