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Famílias ao relento depois de demolições em Luanda

  • Coque Mukuta

Sapú II, município de Vianaem Luanda

Sapú II, município de Vianaem Luanda

Moradores continuam a acusar o administrador de Viana Manuel Mateus Caterça.

Dez famílias, com muitos bebés e idosos continuam a viver ao relento por terem sido destruídas as suas residências no município de Viana.

Frio e ataques dos mosquitos são as grandes dificuldades que aquelas famílias enfrentam depois da destruição das suas casas nas proximidades da via expresso, zona da Sapú II, no município de Viana em Luanda.

A VOA conversou com Andrade Ferras Ginga, de 46 anos de idade, pai de quatro filhos e avô de seis netos, e pedreiro de profissão, que falou das dificuldades por que a família passa: “somos 10 casais e temos filhos sobrinhos e netos aqui, temos dificuldades devido a chuvas, frios e mosquitos, estamos fora e estamos a passar mal”.

Segundo outros residentes, a administração assinou a ordem de embargo de mais de 200 residências por ter um suposto proprietário de nome Amadeu Maurício, antigo alto funcionário do BNA, que apresentou um documento a atribuir-lhe a titularidade dos terrenos há 15 anos. Entretanto, os moradores alegam ter comprado os terrenos a uma camponesa que tem a propriedade dos mesmos há mais de 60 anos.

O activista Emílio Manuel, da Fundação Open Society, reprova a forma como foram conduzidas as demolições e afirma que a maioria das expropriações de terras em Luanda não tem nada a ver com interesses do Estado mais sim privado.

“Continuamos a ver novas demolições, novas apropriações de terras, e muitas delas não são para utilidade pública e não temos indemnização das famílias, ao mesmo tempo que novas zonas surgem sem condições de habitabilidade”, frisou Manuel.

O morador Andrade Ferras Ginga disse que em nenhum momento os representantes do Executivo deslocaram-se ao local para os apoiar e pedem às autoridades ajuda para enfrentar este momento.

Voltamos a contactar hoje o Administrador no município Manuel Mateus Caterça, mas o mesmo mostrou-se indisponível para falar com a VOA.

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