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Luanda: Falta de hospitais preocupa moradores do Bairro Mundial

  • Agostinho Gayeta

ADSSA, Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social de Angola

ADSSA, Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social de Angola

O Bairro Mundial está localizado a Sul de Luanda, a cerca de 30 Km do centro da capital mais cara do Mundo.

Os munícipes do Bairro Mundial, Município de Belas queixam-se de falta de hospitais públicos e de escolas.

O Bairro Mundial está localizado a sul de Luanda, a cerca de 30 KM do centro da capital mais cara do mundo.

A cercania carece de tudo um pouco, desde infra-estruturas escolares, hospitalares, lazer, cultura, desporto entre outras até o reforço da segurança.

Entre as diversas necessidades sociais por que passam os munícipes a saúde, a educação e a segurança são as mais preocupantes. A resolução destes problemas se afigura como urgente.

A localidade que existe há cerca de dez anos tem apenas uma única escola pública, que dista 2 km da zona central do Bairro, porém não satisfazendo a demanda estudantil. A escola é do 1º ciclo do ensino primário, leccionando apenas até a 6ª classe.

Em relação as unidades sanitárias os moradores contam que em situações de emergência recorrem aos serviços prestados por postos médicos particulares que nem sempre conseguem dar resposta adequada às várias enfermidades. A alternativa, em termos de hospitais públicos, tem sido a emigração aos bairros vizinhos como Ramiros que dista a cerca de 15 KM e o Benfica a cerca de 10 KM.

Em muitas situações segundo os munícipes os casos graves cujos postos médicos particulares não têm capacidade para dar resposta, resultam em mortes, sobretudo quando tudo acontece a noite. Período em que nem sequer há transportes disponíveis.

Os óbitos, segundo explicaram, são frequentes e, ainda que pareça miragem, já não assusta os habitantes do Mundial.

Com objectivo de conhecer o bairro, a Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social constatou que os populares consomem água imprópria, passam dificuldades de ordem diversa, sobretudo no ramo da saúde.

Segundo a ADSSA há casos de seropositivos que não sabem sequer que são portadores de HIV SIDA e de outras doenças graves que carecem urgentemente de uma intervenção médica.

A Secretária Nacional para Acção Rural da ADSSA, Juliana Cosme, afirma que se constatou no Mundial que mulheres há que em estado de gestação, por falta de hospitais acabam por ter os bebés em condições precárias, muitas vezes a caminho das unidades hospitalares que distam a mais de 10 quilómetros sendo transportadas em motorizadas de três rodas.

Para minimizar a situação a Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social de Angola ADSSA desenvolveu uma campanha de testagem voluntária e assistência médica e medicamentosa à população.

A actividade que aconteceu de 4 à 6 de Setembro deixou os populares mais animados e com a esperança de que a sua situação de saúde venha a melhorar.

Centenas são os munícipes que acorreram à campanha gratuita, que mobilizou todos os agentes sociais do Bairro, desde a coordenação à polícia local que prontamente garantiu a protecção dos voluntários.

Os munícipes, porém, explicaram à Voz da América que as doenças mais preocupantes são as diarreias, a malária e outras ainda não diagnosticadas.

A Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Social de Angola levou ao Bairro Mundial distintos técnicos de saúde para prestar assistência social, médica e medicamentosa à população. A carteira de acção social da ADSSA contempla vários projectos e, segundo o Vice-presidente da associação, António Panguila, contactos já estão a ser efectuados junto da administração local para a construção de uma unidade hospitalar no Bairro Mundial.

A situação precária por que passam os habitantes do Mundial já é do conhecimento das autoridades, segundo informou o Coordenador do Bairro, Cardoso Zambi, que afirma ter já solicitado a construção de pelo menos um posto médico e uma maternidade. Neste momento aguarda-se o cumprimento de uma promessa feita pela administração de Belas há já algum tempo.

Mas a saúde não é a única preocupação. O bairro Mundial carece também de melhorias em sectores como Educação, energia eléctrica e água.

Muitas são as crianças que estão fora do sistema normal de ensino por falta de escolas capazes de dar resposta ao número de petizes em idade escolar.

Cardoso Zambi fala também de altos índices de mortalidade.

Em consequência da falta de energia eléctrica, os amigos do alheio aproveitam-se da calada da noite para praticarem acções criminosas. Segundo contam os moradores os assaltos acontecem a qualquer hora do dia. Porém é mesmo no período nocturno que os meliantes, facilitados pela falta de iluminação pública, praticam grande parte das suas acções sob o olhar impávido das forças da ordem.

Os “amigos do alheio” não medem esforços quando o objectivo é apoderar-se dos pertences de outrem. Das peripécias dos bandidos, segundo os moradores, até mesmo o posto Policial do Bairro Mundial não foi poupado. Recentemente a esquadra policial sofreu um assalto, tendo sido levado equipamentos diversos.

Devido a fraca acção da polícia para contrapor as astúcias dos meliantes, muitos munícipes já perderam a vida.

As declarações dos populares sobre o alto índice de criminalidade foram refutadas pelo Comandante do Posto Policial do Bairro Mundial Evaristo Chivenda.

O Comandante que não se mostrou disponível para gravar entrevista disse que a situação da criminalidade no Mundial está controlada e que o seu efectivo têm dado resposta adequada e a altura da demanda criminal. Chivenda disse também serem falsas as informações segundo as quais o Posto Policial teria sofrido assalto no princípio do mês de Setembro.

“Não passa de invenção da população. Inclusive alguns órgãos de informação noticiaram isto e os meus superiores chamaram-me para pedir esclarecimentos sobre o assunto”, disse.

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