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Adeus, ´professor´ Tomé M’Buia João

  • Redacção VOA

Equipa da Voz da América, Serviço em Português

Equipa da Voz da América, Serviço em Português

Antigo jornalista da Voz da América faleceu a 19 de Julho.

Historiador residente do Serviço em Português da Voz da América, passou décadas a ensinar-nos história de África e dos Estados Unidos. Profundo conhecedor da realidade política, social e económica americana, Tomé M´Buia João nasceu na aldeia de Chindio, distrito de Mutarara, na província de Tete, em Moçambique.

Neto de um régulo da era colonial portuguesa, Tomé era moçambicano de alma e coração, apesar das largas décadas nos Estados Unidos. Contava, com graça que, aquando do seu nascimento, como não se fazia o registo de nascimento com facilidade, não sabe quando nasceu. Apenas ao chegar à escola é que os missionários lhe calcularam a idade olhando a sua dentição.

Como muitos da sua época, frequentou o seminário e em 1964 os missionários enviaram-no para Roma, estudar na Faculdade de Teologia. Mas a poucos meses de ser ordenado, em 1966, abandona o possível sacerdócio e aporta nos Estados Unidos.

Fez licenciaturas, mestrado e o doutoramento pela sua venerada Universidade Católica da América. A sua tese de doutoramento, defendida em 1990, foi o resultado de grandes sacrifícios pessoais e familiares: “A Revolta de Dom Jerónimo Chingulia de Mombaça, 1590-1637: Um episódio africano no século do declínio português”.

Apesar de ter abraçado o jornalismo radiofónico no Serviço em Português da Voz da América, Tomé era acima de tudo académico, usando as suas próprias palavras em entrevista ao Zambeze: ” Nasci académico, não consigo ser jornalista do dia-a-dia. Sou um homem da ideia, da imaginação…O meu lugar é o professorado, tenho alguns anos de ensino superior e é onde tive as minhas melhores palmas. Os meus primeiros loiros foram na academia”.

Gostaria de ter regressado a Moçambique, mas não conseguiu realizar esse sonho.

Casou com uma moçambicana e teve duas filhas. Que eram a sua paixão. Tal como os livros (tinha centenas dele rodeando-o na sua secretária na VOA) e a sua igreja. Era católico convicto e adorava discutir religião. Gostava de falar do ser humano, que era para ele uma outra forma como Deus lhe aparecia. Se pudesse dizer alguma coisa hoje diria que está finalmente a ver a face de Deus.

Tomé M´buia João faleceu aqui em Washington no domingo, 19 de Julho.

Até sempre, Professor.

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