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Expatriados em Angola: Trabalhadores denunciam desequilíbrio salarial

  • Agostinho Gayeta

Logos de empresas angolanas e estrangeiras em Angola

Logos de empresas angolanas e estrangeiras em Angola

As empresas do ramo petrolífero, construção civil e hotelaria são as que mais privilegiam o desiquilíbrio salarial entre expatriados e nacionais.

A falta de um salário equilibrado entre trabalhadores estrangeiros e nacionais tem preocupado alguns profissionais angolanos.

As empresas do ramo petrolífero, construção civil e hotelaria são as que mais privilegiam o desiquilíbrio salarial entre expatriados e nacionais. Domingos Pedro trabalha no ramo hoteleiro há mais de seis anos.

Explicou que “não há um equilíbrio salarial entre profissionais nacionais e estrangeiros” no ramo da hotelaria.

“Um estrangeiro, por exemplo, técnico superior nesta área pode estar a ganhar por aí acima de dez mil dólares ao passo que o nacional pode ganhar metade deste salário, com as mesmas competências e qualificações”.

Já Firmino dos Santos, que trabalha numa empresa petrolífera há 4 anos, diz que em parte não se justificam as discrepâncias remuneratórias motivadas pela falta de domínio da tecnologia dos angolanos.

“Existem estrangeiros que quando vêm cá, vêm sem experiência, acabam por aprender aqui, mas eles trazem o seu contrato de onde vem, de acordo com a realidade do país deles”.

A falta de equidade salarial leva a que muitos desistam do emprego, já que dizem não verem o esforço a ser compensado.

António Maria é ajudante de pedreira numa empresa de construção. Ele diz que faz trabalho de risco, mas o que ganha não compensa.

“Um de nós atingiu um dos cabos, mas não aconteceu nada terrível. Nós os trabalhadores estamos em conflito por causa deste salário, uns estão a desistir por causa destas coisas. O salário do estrangeiro não é igual ao nosso angolano, nós ganhamos menos e eles ganham mais”, explicou.

Simão João é canalizador na mesma empresa. Reconhece a qualidade do trabalho dos chineses. Para ele a empresa paga mal aos trabalhadores nacionais e favorece os expatriados.

“Eles pagam por aí 20 mil kwanzas (USD 200) a um canalizador”, disse.

Will Piassa da Rede Angolana de Luta Contra Pobreza Urbana entende que as empresas que operam no país preocupam-se mais em equivaler os salários, encontrando “números inferiores em relação ao que se pratica no seus paíss de origem”, ressaltou.

Porém no ramo da docência, a situação é diferente. Na Universidade Metodista de Angola, por exemplo, onde lecciona o professor Scoth Cambolo, há equidade salarial entre nacionais e estrangeiros com as mesmas compentêcias e que desempenham as mesmas tarefas.

“Há um salário estipulado para licenciados, não importa se é nacional ou estrangeiro. Há um pacote para os mestres, há pacote para doutores e dentro deste plano de pagamentos de nós somos encaixados. Tanto os estrangeiros como nacionais recebem a mesma coisa em função do grau académico”, enfatizou.

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