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Expatriados em Angola: "Salários milionários são mito"

  • Agostinho Gayeta

A discrepância salarial entre trabalhadores nacionais e expatriados é uma questão que há muito preocupa um número considerado de pessoas que partilha o mesmo espaço de trabalho com estrangeiros

Encontrar um emprego e auferir um bom salário é o desejo de muitos, mas nem todos conseguem este desiderato.

A discrepância salarial entre trabalhadores nacionais e expatriados é uma questão que há muito preocupa alguns como confirmam cidadãos que partilham o emprego com cidadãos expatriados.

“Há uma discrepância muito grande a favor dos estrangeiros. Em termos de salário não pagam bem. Existem estrangeiros que quando vêm cá, a experiência adquirem aqui, mas vem com os contratos de onde vêm”.

Samuel Carapinha Director Executivo da Create Value, uma empresa de direito angolano que opera no sector dos Recursos Humanos, diz haver mito em relação aos salários praticados em Angola.

“Existe um mito grande sobre os grandes salários em Angola. Toda gente ganha sempre milhões estando em Angola... Isto é uma realidade que para quem trabalha na área dos recursos humanos é completamente errada”, frisou.

Em relação às diferenças salariais Carapinha considera normal que um estrangeiro ganhe mais que um angolano, porém desde que não haja um cidadão nacional com as mesmas com petências. O empresário ressalta que actualmente as diferenças começam a ser insignificantes.

“É normal que ganhe um pouco mais (os estrangeiros). Diz-me a experiência que em termos de diferenças começa a não ser tão grande. Nós que trabalhamos na área dos recursos humanos entrevistamos muitas pessoas e vemos angolanos com salários iguais ou acima dos trabalhadores estrangeiros”, salientou.

O economista Domingos Fingo defende que se acautele o índice de desemprego através da definição de “políticas de protecção interna” dos profissionais angolanos, “para que haja redução dos indices de desemprego”.

Will Piassa membro da Rede Angolana de Luta Contra Pobreza Urbana denuncia que muitas empresas estrangeiras que operam no país praticam baixos salários para os quadros nacionais de forma propositada. Porém sustenta que falta astúcia de aproveitamento dos quadros formados pelo Estado.

“Políticas de formar e não ter um plano de como usar estes quadros também contribuem em grande medida para este grande défice que nós vemos no país do mau aproveitamneto dos quadros e também

que imperram a política de angolanização em muitos sectores da nossa economia”, destacou.
Sobre a formação dos quadros nacionais Domingos Fingo, economista e Director Executivo da ACC, Associação Construíndo Cidadania, aponta a qualidade dos quadros angolanos como um dos factores que pesam na balança salarial. Salienta que em muitos casos a actuação profissional dos angolanos “não se compadece com o canudo e o grau académico que ostentam”.

O docente universitário Scoth Cambolo entende que se precisa em Angola a criação de uma política salarial para que o ordenado dos cidadãos comuns chegue para satisfação das suas necessidades básicas.

“A divisão equitativa da riqueza deste país não se faz de outra maniera se não de um salário que chega para resolver as necessidades básicas do povo”, realçou o professor de Linguística africana.

Sobre este assunto, o Economista Domingos Fingo é a favor da definição de uma política de remuneração única a qual os estrageiros seriam submetidos ao aceitarem trabalhar em Angola.

“O que devíamos definir é uma política salarial nacionalúnica, diferindo-se apenas nos subsídios”, explicou o também Director Executivo da ACC.

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