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Expatriados em Angola: Burocracia "exagerada" pode ter vantagens para Angola

  • Agostinho Gayeta

Para os estrangeiros a dificuldade é na obtenção de vistos, mas há quem veja vantagens na limitação que se impõe na obtenção dos vistos de trabalho para Angola.

Os estrangeiros denunciam limitação, morosidade e burocracia exagerada na obtenção de vistos para Angola. Porém há também quem observa neste paradigma um aspecto positivo: a necessidade de dar mais valor à força de trabalho nacional.

Angola tornou-se num dos pontos do continente africano mais cobiçados para investimentos de grande, média e pequena escala. Por isso, regista ao longo das suas fronteiras várias tentativas de entreda irregular.

Apesar da simplicidade e do espírito acolhedor que caracteriza os angolanos, viajar para este país banhado pelo oceano Atlântico, cujo povo acolhe e absorve de todas as culturas, nem sempre é fácil. As dificuldades começam logo no pedido de obtenção de visto, seja de trabalho, residência ou até mesmo de turismo.

“Para os estrangeiros a dificuldade é na obtenção de vistos”, explicou Frederica Pilia cidadã italiana.

Portugal lidera lista de passaportes com vistos falsos

Entre 18 e 24 de Setembro, o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) expulsou de Angola 1.428 cidadãos expatriados por via administrativa e 25 por via judicial, uma subida semanal de praticamente 450 expulsões.

No final de Agosto o SME apreendeu mais de 200 passaportes por suspeita de emissão fraudulenta de vistos, com Portugal a liderar uma lista de quinze nacionalidades.

Países como Brasil, Moçambique, Nigéria, Líbano, Mauritânia, Egito, China, Cuba, Ucrânia, Turquia, Jordânia, Macedónia, Costa de Marfim e Malaui figuram igualmente na lista das nacionalidades de cidadãos cujos passaportes foram apreendidos pelo SME.

Algumas empresas que contratam trabalhadores estrangeiros chegam a pagar às redes clandestinas e fraudulentas dentro e fora de Angola, cinco a doze mil dólares por cada visto falso. Oficialmente, o processo para obtenção de um visto de trabalho em Angola, a partir dos consulados do país, ronda os 400 dólares.

Os embaraços, segundo Frederica Pilia, italiana residente em Angola, são causados pela morosidade e pela burocracia com que se depara quem pretende obter um visto.

“Para obter o visto para Angola é muito complicado. Não é complicado só do ponto de vista dos documentos que são pedidos, mas o processo é muito longo a partir de um país estrangeiro”, salientou.

As dificuldades de obtenção de vistos não são vividas apenas pelos europeus, os estrangeiros africanos não são poupados desta situação. Alasane Samasa é mauritaniano, vive em Angola há 13 anos e diz que também já passou pelos mesmos problemas.

Para ele, entrar em Angola “já não é difícil”, embora já tenha passado por dificuldades.

Limitação de vistos obriga empresas a repensar contratações

Samuel Carapinha é empresário, responsável por uma empresa de recursos humanos e Recrutamento de pessoal. O empresário luso observa algumas vantagens na limitação que se impõe na obtenção dos vistos de trabalho para Angola.

Carapinha entende que o paradigma dos vistos é positivo na medidade em que leva as empresas que operam em Angola a repensar no aproveitamento da força de trabalho local.

“Está a ser bem feito estes limites dos vistos para estrangeiros e porquê? Para obrigar genuinamente as empresas a repensar na forma como formam os seus quadros e como apostam nos seus quadros”.

Dados dos SME registaram em finais de Outubro e princípios de Novembro a entrada de 8.629 estrangeiros e a saída de 7.003. Um fluxo migratório que se reporta as fronteiras terrestres, fluviais, aéreas e marítimas.

Os estrangeiros africanos com realce para República do Congo, Nigéria, Líbano, Mauritânia, Costa de Marfim e Mali, RDC e Senegal, são os que mais fazem tentativas de entrada fradulenta em Angola, sobretudo por via das fronteiras terrestres e fluviais.

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