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Exclusão social continua a dominar agenda politica moçambicana

  • Ramos Miguel

Maputo, capital de Moçambique (Foto:João Santa Rita)

Maputo, capital de Moçambique (Foto:João Santa Rita)

Em Moçambique é consensual que é preciso resolver a questão da exclusão social que a Renamo tem levantado, mas a proposta que o movimento apresentou, na segunda-feira, sobre a distribuição da riqueza, não tem sido bem acolhida.

Ainda não havia muita clareza sobre que tipo de propostas a Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, queria discutir com o Governo. O que havia era um consenso sobre a necessidade de discutir a questão da exclusão social, e nisso, a Renamo encontrava apoio quase total da sociedade moçambicana.

Mas no diálogo político com o Governo, a Renamo exigiu que os partidos políticos representados na Assembleia da República nomeassem gestores para as empresas públicas, numa espécie da paridade com o Governo.

O jurista Moisés Cuambe diz que sempre apoiou a ideia da Renamo de se acabar com a exclusão social, só que o figurino que o partido apresenta coloca algumas sombras sobre o que realmente pretende.

Para o jurista, "parece que a proposta não é para resolver os problemas de todos os moçambicanos, porque o fundamental é garantir uma plataforma em que todos tenham igualdade de oportunidade e caminhem em conjunto na construção do país".

Refira-se que a Renamo defende a necessidade de ocupar cargos de direcção na administração de algumas empresas públicas e ter igualdade de posição com os membros da Frelimo por indicação do Governo.

Segundo o jurista, a Renamo, ao fazer a proposta desta maneira, "não está a resolver o essencial, que é tornar o país governado não só do ponto de vista de extremos colocados pelos partidos políticos, mas sim sob o ponto de vista de participação de todos os moçambicanos membros ou não de formações políticas".

O porta-voz dos mediadores nas negociações entre o Governo e a Renamo, Lourenço do Rosário, considerou excludente a proposta da Renamo, porque promove a apropriação dos recursos económicos do país pelos principais partidos.

O chefe da delegação da Renamo às negociações com o Governo, Saimone Macuiane, ao apresentar a proposta, disse que "nao deve continuar o princípio segundo o qual aquele que é membro da Frelimo (partido no poder), pode ter acesso aos recursos".

Por seu turno, o negociador-chefe do Governo, José Pacheco considerou inaceitável a proposta da Renamo, afirmando que a mesma visa partidarizar a esfera económica do país.

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