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Ex-militares das FAPLA sofrem em empresa de segurança

  • João Marcos

Quatrocentos antigos militares levaram ao tribunal empresa de segurança que lhe deve seis meses de salários.

Centenas de antigos militares que trabalhavam para uma conhecida empresa de segurança privada de Benguela estão com um processo em tribunal para exigir o pagamento de seis meses de salários em atraso.

Transformados em agentes de segurança por não receberem pensões de reforma, mais de 20 anos após a desmobilização, denunciam maus-tratos ao longo dos quase 10 anos de serviço.

Dos salários em atraso ao consumo de alimentos deteriorados, passando pela abolição de férias, os ex-militares apresentaram ao Tribunal de Benguela uma queixa contra a empresa ESCAB LDA, com uma dívida de 40 milhões de kwanzas, qualquer coisa como 250 mil dólares norte-americanos.

Ninguém acredita que não haja dinheiro, tendo em conta o peso dos clientes desta empresa de segurança.

“Não recebo há cinco meses. Cada um tem o seu tempo, parámos quando os contratos com outras empresas terminaram. Falamos das empresas de Aguas do Lobito e de Benguela, da Refinaria e de faculdades da universidade pública, por isso acreditamos que haja dinheiro’’, sustentam.

Estes desmobilizados, oriundos das antigas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLAS), fazem parte de um grupo de 400 homens.

As queixas conformam atropelos à legislação laboral, sendo extensivas à falta de alimentação nos postos de trabalho

“Nunca tivemos férias, nem subsídios de Natal ou outro qualquer. Tínhamos uma única refeição por dia quando estivéssemos em serviço. Às vezes, davam-nos peixe podre, sem tomate e outros acompanhantes’’, denunciam.

Em entrevista recente à Rádio Benguela, o director para a Ordem Pública do Comando da Polícia, Carlos Mota, prometeu apertar o cerco a empresas de seguranças que violam as normas.

O delegado provincial da ESCAB, Domingos Rodrigues, optou por não reagir.

A VOA apurou que esta firma reclama uma dívida de 300 milhões de kwanzas, cerca de dois milhões de dólares ao câmbio oficial, às Empresas de Águas de Benguela e do Lobito, entre outras.

Cabe ao tribunal definir um prazo para a solução dos problemas dos trabalhadores.

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