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EUA: Economia em destaque no discurso do presidente Obama sobre o Estado da União

  • Eduardo Ferro

O presidente Obama salientou que apesar dos lucros das grandes empresas americanas estarem a crescer os salários dos americanos pouco têm aumentado.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a sua administração está disposta a agir independentemente do Congresso para fortalecer a classe média americana.
No seu discurso sobre o Estado da união, proferido ontem à noite perante uma sessão plenária do Congresso americano, o presidente Obama declarou-se disposto a agir unilateralmente para atingir esse objectivo.

Cumprindo um ritual político anual, o presidente Obama disse aos legisladores americanos que, apesar da sua vontade em trabalhar conjuntamente com o Congresso, está empenhado em expandir as oportunidades da classe média e que o fará mesmo sem a aprovação de legislação no Congresso através das denominadas “ordens executivas”.

Esses decretos são o mecanismo a que os presidentes americanos recorrem quando precisam de rodear um Congresso total ou parcialmente hostil para alcançarem os objectivos das suas administrações.

Neste momento a Câmara dos Representantes encontra-se nas mãos dos republicanos e os democratas controlam o Senado tornando difícil o entendimento entre as duas câmaras do Congresso.

No seu discurso, o presidente Obama, um democrata, salientou que, apesar dos lucros das grandes empresas americanas estarem a crescer exponencialmente, os salários dos americanos pouco têm aumentado erodindo o poder de compra da classe média: “As desigualdades, disse o presidente Obama, aprofundaram-se. O avanço social parou e a realidade nua e crua é que, mesmo numa era de recuperação económica, muitos americanos têm que trabalhar mais para pagar as contas no fim do mês e não vêm perspectivas de avanço. Muitos, realçou, continuam mesmo no desemprego”.

O nosso dever, prosseguiu o presidente americano, é inverter esse estado de coisas. Isso não acontecerá da noite para o dia e não estamos de acordo acerca de tudo. Mas, o que proponho esta noite é um conjunto de medidas práticas para acelerar o crescimento, fortalecer a classe média e construir novas oportunidades.
O presidente Obama salientou que algumas dessas medidas necessitam da aprovação do Congresso manifestando a sua disponibilidade para trabalhar com todos os legisladores.

Sublinhou contudo que a América não está estática e que ele também não o está: “ Quando puder dar passos sem ser necessário recorrer ao ramo legislativo para alargar as oportunidades para mais famílias americanas, é isso que farei.”
Como exemplo desse posicionamento, o presidente Obama anunciou que vai decretar o aumento do salário mínimo dos trabalhadores das firmas contratadas pelo governo federal elevando-o de 7,25 para 10,1 dólares.

Durante o seu discurso sobre o Estado da União, o presidente Obama defendeu igualmente a nova lei do sistema de saúde e salientou a questão da necessidade de reformas no sistema de imigração apelando aos membros do Congresso para aprovarem nova legislação que, segundo ele, se traduzirá por um maior dinamismo da economia americana: “ Economistas independentes dizem que a reforma do sistema de imigração se traduzirá pelo crescimento da economia e por uma redução do deficit em quase 1 trilião de dólares nas próximas duas décadas. Quanto as pessoas vêm para aqui para tornar os seus sonhos em realidade, para estudar, inventar e contribuir para a nossa cultura, elas tornam, o nosso país mais atraente para a implantação de negócios criando empregos para todos”.

No que se refere à política externa, o presidente Obama referiu-se ao Afeganistão afirmando que no final do ano a guerra mais longa da América chegará ao seu termo com a retirada das forças americanas cujo número chegou a alcançar 180 mil soldados quando chegou à Casa Branca.

Salientou contudo que os Estados Unidos continuarão a treinar as forças afegãs para prosseguirem com as suas acções contra o que resta das forças da al Kaida, e relembrou que apesar do relacionamento com o Afeganistão estar a entrar numa nova fase, uma coisa não mudará: a garantia de que grupos terroristas não desencadeiem ataques contra a América: “O facto é que o perigo persiste. Apesar de termos derrotado a liderança da al Kaida, a ameaça transformou-se, com grupos afiliados da al Kaida e outros extremistas enraizando-se noutras partes do Mundo. Temos que continuar a trabalhar com os nossos parceiros no Iémen, na Somália, no Iraque e no Mali para destruir essas redes.”

O presidente Obama realçou ainda o prosseguimento dos esforços americanos para resolver o conflito israelo-palestiniano e salientou que a diplomacia americana apoiada pela ameaça do recurso à força permitiu a eliminação das armas químicas sírias assim como as conversações com o Irão sobre o programa nuclear daquele país que estão a traduzir-se pela eliminação dos seus stocks de urânio altamente enriquecido.
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