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Dissidente Cubano recebe Prémio Sakharov

  • Paulo Faria

Dissidente Cubano recebe Prémio Sakharov

Dissidente Cubano recebe Prémio Sakharov

Farinas é um psicólogo e jornalista que participou em mais de 20 greves de fome em oposição ao governo cubano

Um dissidente cubano tornou-se no terceiro cubano em menos de uma década a vencer um prestigioso prémio de direitos humanos concedido pelo Parlamento Europeu.

O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, anunciou que o dissidente cubano Guillermo Farinas tinha conquistado o Prémio Sakharov:

“Ele estava pronto a sacrificar e arriscar a sua própria saúde e vida como uma forma de pressão para conseguir mudanças em Cuba. Fez greves de fome para protestar e desafiar contra a falta de liberdade de expressão em Cuba, carregando as esperanças de todos aqueles que se preocupam com a liberdade, direitos humanos e democracia.”

Farinas é um psicólogo e jornalista que participou em mais de 20 greves de fome em oposição ao governo cubano. Terminou uma greve de fome de 135 dias no princípio do ano depois do governo cubano ter aceitado libertar mais de 50 presos políticos.

O Prémio Sakharov, no valor de 70 mil dólares, tem o nome do falecido dissidente soviético Andrei Sakharov e foi atribuído pela primeira vez em 1988. Farinas é o terceiro cubano a conquistar o prémio na última década. Em 2002 foi entregue ao activista político Oswaldo Paya e em 2005 as “Senhoras de Branco”, um grupo de mulheres cubanas que fazem manifestações pacíficas em apoio a dissidentes presos.

Reed Brody é um porta-voz do grupo internacional Human Rights Watch:

“O governo cubano certamente não estará feliz com esta escolha, assim como o governo chinês não ficou feliz com o Prémio Nobel da Paz. A reacção imediata do governo cubano será hostil, mas penso que ira haver um debate em Cuba e isso certamente ira fazer a liderança pensar o que será do melhor interesse para Cuba e quem vai ajudar Cuba a empenhar-se com os outros países do mundo.”

Guillermo Farinas, de 48 anos, que inicialmente acreditou na revolução de Fidel Castro, combateu em Angola na década de 80 durante a guerra civil integrado numa unidade de tropas de elite, tendo inclusive sido condecorado por feitos de bravura. Mas em 1989, quando o general Arnaldo Ochoa, comandante em chefe das forças cubanas em Angola, foi fuzilado, por alegado tráfico de drogas, Farinas começou a ter segundos pensamentos e questões sem resposta, tendo sido preso pela primeira vez em 1995, depois de ter denunciado práticas de corrupção em hospitais de Cuba.

Guillermo Farinas deverá receber o seu prémio numa cerimónia em Dezembro em Estrasburgo, na França.

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