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Estudo revela fraude eleitoral de "enchimento de urnas" em Moçambique

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Assembleia de voto em Quelimane, que abriu às 7h00 da manhã. Província da Zambézia, Moçambique, 15 Out, 2014. Foto enviada por António Zefanias

Assembleia de voto em Quelimane, que abriu às 7h00 da manhã. Província da Zambézia, Moçambique, 15 Out, 2014. Foto enviada por António Zefanias

Um estudo divulgado pelo Centro de Integridade Pública de Moçambique revela que o candidato presidencial da Frelimo e vencedor das eleições de 15 de Outubro, Filipe Nyusi, foi o maior beneficiado do conhecimento enchimento de votos.

A revelação acontece quando o próprio Secretariado Técnico de Administração Eleitoral indica que mais de 330 assembleias de voto foram excluídas do resultado final.

Um relatório produzido pelo Centro de Integridade Pública (CIP), com base na observação eleitoral do EISA e do Observatório Eleitoral, revela o que se conhece como “possível esquema de fraude”, baseado no enchimento de votos nas últimas eleições gerais de 15 de Outubro.

O estudo, divulgado pelo boletim sobre o processo eleitoral daquela organização da sociedade civil, em conjunto com a Associação de Parlamentares Europeus (AWEPA), parte do princípio de que hoje, efectivamente, a fraude eleitoral terá beneficiado alguns concorrentes no processo.

O estudo identificou dois grupos de assembleias de voto onde, de acordo com os dados, suspeita-se que tenha havido enchimento de urnas: onde houve uma grande afluência às urnas; e onde houve um número significativamente maior de votos para as presidenciais do que para a Assembleia da República.

De acordo com o documento do CIP, os esquemas usados poderão ter resultado na introdução de cerca de 105 mil votos, cerca de um terço dos que foram amealhados pelo candidato do MDM, Daviz Simango.

“Esta análise dos dados do PVT (contagem paralela) sugere que poderão ter existido mais de 105 mil votos “extra”. Cerca de 100 mil votos teriam beneficiado Filipe Nyusi, segundo o estudo.

Tal facto pode ter sido uma mistura de duas técnicas, a introdução de boletins de voto “extra” nas urnas (forma física) ou, provavelmente, a mais comum, a alteração dos números nos editais no momento em que ninguém estava a fiscalizar, lê-se no documento.

Dados do Secretário Técnico de Administração Eleitoral indicam que 330 assembleias de voto para a presidente da República e 323 para a Assembleia da República foram excluídas da contagem final, o que representa 2 por cento das 17,199 assembleias de voto.

Uma análise desses dados indica que metade dos postos de votação excluídos são da Zambézia, enquanto 66 assembleias de voto foram destruídas por apoiantes da Renamo em Tete. As restantes foram em Nampula

Na maior parte das assembleias de voto as folhas tinham erros não corrigíveis, e, nesses casos, a lei exige uma recontagem o que, ao que parece, não aconteceu.

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