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Estudante guineense morre no Brasil, família desamparada quer voltar para Bissau


Paula Beteba e o filho Abene

Paula Beteba e o filho Abene

Augusto Beteba morreu, deixando uma viúva e um filho que, agora, conta apenas com a ajuda de colegas para regressar ao seu país.

Um doutorando da Guiné-Bissau, Augusto Beteba, morreu no Brasil no dia 8 deste mês, aos 36 anos, deixando uma viúva, Paula, e um filho, que esperam regressar ao país de origem graças à ajuda de um movimento que nasceu dos professores e colegas do marido.

Apesar de ser bolseiro, o Governo brasileiro diz não ser sua responsabilidade pagar o translado do corpo nem as passagens da viúva e do filho.

Augusto Beteba era bolseiro de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tinha como sonho terminar o seu doutoramento e regressar à Guiné-Bissau para melhorar o ensino no país.

Depois de fazer a licenciatura e um mestrado na Rússia, Beteba coordenava a Faculdade de Economia da Universidade Lusófona em Bissau, antes de seguir para fazer o doutoramento no Brasil.

Em 2013, Beteba teve complicações renais que deixaram-no dependente de hemodiálise e obrigaram-no a postergar a tese. Em Janeiro, foi internado, mas não resistiu à infecção generalizada e morreu no passado dia 8.

Desde a morte do marido, Paula Beteba pensa apenas em regressar para junto da sua família, com o filho Abene, de seis anos. Entretanto, a viúva, que não recebeu qualquer ajuda do Governo brasileiro, disse "sentir-se completamente abandonada".

Indignados com a falta de assistência do Governo para custear o regresso da família, o orientador de Augusto Beteba, o professor Flavio Comim e colegas avançaram com um peditório.

"Não foi nada programado, mas começamos a manifestar a intenção de ajudar e as pessoas foram se oferecendo e depois com as reportagens recebemos apoio de todo o Brasil", diz Comim.

Graças à ajuda recebida, Paula Beteba tem agora o dinheiro necessário para regressar à Guiné-Bissau, juntamente com o filho e sente-se "muito feiz".

Para o professor universitário Flavio Comim, o governo do Brasil deveria ter prestado auxílio à Paula e ao sseu filho. A falta de ajuda denuncia um problema nas instituições brasileiras.

A viúva e o filho de Augusto Beteba aguardam os procedimentos burocráticos para regressar à Guine-Bissau.

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