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Especialistas dizem que recursos naturais ainda não geram prosperidade em Moçambique

  • Ramos Miguel

Mozambique aNADARKO GAS 5

Mozambique aNADARKO GAS 5

O Banco Mundial diz que apesar da descoberta de gás, carvão e outros minerais, estes recursos ainda não geram prosperidade.

Economistas dizem que Moçambique deve adoptar políticas voltadas para a transferência do rendimento que vêm da indústria extractiva e dos hidrocarbonetos para as pequenas e médias empresas e evitar as experièncias de Angola e Nigéria.

O Banco Mundial diz que apesar da descoberta de gás, carvão e outros minerais, estes recursos ainda não geram prosperidade, mantendo-se altos os níveis de pobreza no país.

O economista Eduardo Sengo, assessor económico da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA, na sigla em inglês), diz que para corrigir esta situação, os sectores de agricultura, transporte, turismo e pescas ou as chamadas pequenas e médias empresas e que têm o potencial de empregar um elevado número de pessoas, devem beneficiar do rendimento da indústria extractiva.

"Se quisermos beneficiar um maior número de pessoas, devemos garantir que esses sectores se desenvolvam. A indústria extractiva e o sector dos hidrocarbonetos estão a crescer muito em Moçambique, devido aos altos rendimentos que estão a ter", realçou.

Segundo o economista, "o que nós devemos fazer é garantir que haja políticas de transferência dos rendimentos desses sectores altamente rentáveis para os menos rentáveis, de modo a alavancá-los, e a partir daí podermos atingir maior parte da população".

Sengo entende que as políticas devem ser direccionadas também para o desenvolvimento das infra-estruturas, que são fundamentais para qualquer indústria.

De igual modo, é preciso apostar também na indústria transformadora, que, igualmente, tem o potencial de beneficiar as pequenas e médias empresas, que não possuem capacidade para construir as suas próprias infra-estruturas porque o seu capital é muito baixo.

Na opinião deste economista, a indústria transformadora tem a possibilidade de funcionar como locomotora de toda a economia, ao transformar internamente os recursos, ao invés de exportá-los em bruto.

O Banco Mundial considera que Moçambique pode ser um exemplo na chamada maldição dos recursos naturais, mas para isso o académico e deputado independente da Assembleia da República Ismael Mussá diz ser necessário aproveitar a experiência dos países bem-sucedidos na exploração desses recursos.

Segundo ele, o Qatar e a Noruega são exemplos de países bem sucedidos na exploração de recursos naturais, "mas temos maus exemplos: a Nigéria, Angola e eu gostaria que Moçambique não tivesse como referência nem a Nigéria nem Angola".

Segundo o Banco Mundial, a produção de carvão e gás fará com que Moçambique tenha um dos rendimentos per capita mais altos da África subsaariana, devendo o Produto Interno Bruto crescer para cerca de 535 mil milhões de meticais, em 2014, face aos 469 mil milhões de meticais do ano passado.
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