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Especialistas desenham mapa das minas de ouro na RDC

  • Nick Long

Mineiros na RDC

Mineiros na RDC

Especialistas produziram um novo mapa dos locais das minas no leste da Republica Democrática do Congo identificando quais os locais controlados por grupos armados e quais são controlados pelo exército congolês.

A pesquisa, cujos dados foram agora divulgados, foi realizada por uma organização belga – o Serviço de Informação para a Paz – em parceria com o registo de minas.

Os pesquisadores encontraram grupos armados envolvidos em cerca de duzentas das oitocentas minas fiscalizadas, enquanto o exército estava envolvido em 265 minas, com os militares e as milícias impondo impostos aos mineiros.

O Serviço de Informação para a Paz tinha efectuado um estudo similar em 2009. O principal pesquisador Filip Hilgert indicou à Voz da América que o mapa então produzido está desactualizado.

Segundo ele muitos dos mineiros deixaram de escavar para passarem a procurar ouro e os grupos armados beneficiam muito mais do ouro do que qualquer outro minério de conflito.

Uma das razões para a subida, foi o preço do ouro.

Um outro facto, segundo Hilgert, foi a aplicação de regras mais estritas sobre a proveniência dos minerais, incluindo a legislação dos Estados Unidos sobre os minérios de conflito aprovada pelo Congresso norte-americano.

Aquelas iniciativas, destaca ainda Hilgert, tiveram um grande impacto nos minerais, mas não no ouro.

Os países da região têm, desde 2006, dialogado sobre a certificação das exportações de quatro minérios, mas muito poucos emitiram certificados.

Entretanto, a maioria dos compradores internacionais tem boicotado os minérios da região, excepto da produção de umas poucas minas onde cada saco tem uma etiqueta para certificar não ser proveniente de zona de conflito.

No futuro será possível acompanhar a produção utilizando métodos científicos, pois um Instituto Geológico alemão recolheu amostras de minerais de centenas de minas no Ruanda, que podem ser usadas para provar a origem dos minerais.

Mas como o ouro pode ser facilmente derretido, acompanhar as propriedades físicas torna-se mais difícil, destaca o instituto alemão.

Um grupo de especialistas da ONU no Congo documentou o relacionamento dos compradores de ouro e os grupos aramados da região, mas até aqui os compradores não foram penalizados pelos estados onde operam.

O director da associação de minas do Ruanda Jean Marc Kalima, considera que os compradores devem ter mais cuidado, ou podem vir a ser penalizados.

Kalima refere que o comércio do ouro pode ser melhor controlado se existir controlo dos compradores. As empresas que adquirem ouro na região são conhecidas, sendo uma questão de organizar os compradores e os vendedores.
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