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Escândalo da Petrobrás provoca "terremoto político"

  • Maria Cláudia Santos

Dilma Roussef

Dilma Roussef

Oposição pede Comissão Parlamentar de Inquérito e admite processo de "impeachment" contra Dilma Roussef.

No Brasil, a queda da administração da empresa de petróleos Petrobrás, a maior do país, teve um eco quase nacional de "até que enfim", e pôs término à especulação que estava a afectar as acções e a confiança do mercado na empresa brasileira. No entanto, a mudança não encerra a série de dúvidas sobre o futuro da estatal, que nos últimos tempos perdeu 80% do seu valor de mercado, nem põe fim às incertezas sobre os impactos dessa crise no Governo de Dilma Rousseff.

O Executivo vinha sendo pressionado pelo mercado para trocar a equipa no momento em que a Petrobrás está no centro de graves denúncias de corrupção e acumulando resultados negativos. A "última gota d'água" foi a divulgação dos resultados da estatal sem incluir os prejuízos com fraudes em contratos de obras denunciadas na Operação Lava Jato.

O especialista em ciências políticas da Unesp, Marcos Del Roio, avalia que a mudança na administração da Petrobrás é uma tentativa de minimizar a pressão já quase insuportável sobre o governo Dilma. "É uma tentativa de saída do cerco em que o governo está metido e a Petrobrás também. O ataque vem muito forte, até porque, evidente, que se abriram brechas. Essa corrupção generalizada na empresa pública e em todas as dimensões do Estado fortaleceu-se a partir dos anos de 1990, e os governos seguintes de Lula e Dilma Rousseff nada fizeram para combater isso. O problema é que agora a "água subiu em demasiado," afirma.

A escolha do substituto de Graça Foster também deve contar muito na tentativa de diminuir essa pressão sobre Dilma Roussef. Entre os nomes cotados estão: Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, Rodolfo Landim que tem passagem pela Eletrobrás e BR Distribuidora, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, Murilo Ferreira, actual presidente da Vale e Eduarda La Rocque, ex-secretária da Fazenda do município do Rio de Janeiro.

A oposição, no entanto, garante que a mudança na gestão da Petrobrás não vai impedir que o Governo Rousseff seja colocado contra a parede. A oposição já protocolou o pedido para uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Apesar de, no ano passado, ter sido encerrada uma CPI mista, de deputados e senadores, sobre o mesmo assunto, opositores do governo dizem que ainda há muito a ser esclarecido.

O líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio, afirma que muitas perguntas ficaram sem respostas, inclusive os nomes de quem desviou recursos da estatal: "A sociedade brasileira quer saber efectivamente o nome daqueles que assaltaram a Petrobrás. Sejam eles agentes públicos, ministros, sejam eles agentes políticos, senadores ou deputados. É obrigação desta casa trazer a luz o nome de todos aqueles que se envolveram no assalto a Petrobras."

O presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha deve analisar hoje o pedido da nova CPI. Uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito pode resultar na acusação de envolvimento directo de Graça Foster no esquema de corrupção, o que não aconteceu até hoje.

A nova CPI poderia, também, para membros da oposição e alguns especialistas, abrir caminho para um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O presidente do partido do governo (PT), Rui Falcão minimiza as especulações que ligam a crise da Petrobrás a um possível pedido de impeachment de Dilma. "Não tem nem base jurídica nem base política para isso. Essas tentativas, que são aqui e ali ensaiadas de golpismo, eu não levo a sério porque a população brasileira está muito firme com a ideia da democracia, acho que são "chuvas de verão", concluiu.

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