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Eleições moçambicanas: As grandes questões em debate

  • Ramos Miguel

Presidente Armando Guebuza e líder da Renamo Afonso Dhlakama

Presidente Armando Guebuza e líder da Renamo Afonso Dhlakama

A questão da distribuição equitativa dos ganhos resultantes dos recursos naturais está na ordem do dia em Moçambique.

A campanha para as eleições de 15 de Outubro próximo em Moçambique, está a decorrer, regra geral, de forma pacífica, mas analistas dizem que os actores políticos devem nos seus discursos apresentar soluções que tragam estabilidade a longo prazo.

O sociólogo João Colaço diz ser necessária uma profunda reflexão sobre as potenciais causas da violência no País, entre as quais a carestia da vida e a falta de emprego, sobretudo para jovens, elementos que se não forem acautelados podem fazer com que o país volte a mergulhar-se num novo conflito.

O analista político Luís Loforte refere que a questão da pacificação do país devia merecer destaque nos discursos partidários e realça que deve ser denunciada qualquer tentativa de se conquistar o poder de forma violenta.

Loforte afirma ainda que todos os actores políticos devem entender de uma vez por todas, que não se pode violentar uma sociedade para se conseguir dividendos políticos, sublinhando que a pacificação deve acontecer por atitudes que nem sequer merecem publicitação.

A questão da distribuição equitativa dos ganhos resultantes dos recursos naturais está na ordem do dia em Moçambique, mas o professor catedrático Giles Cistac gostaria que os actores políticos apresentassem modelos muito claros sobre como vai ser feita a gestão desses recursos.

"Será que vamos utilizar um modelo transparente e mais participativo como o norueguês, ou vamos ter um modelo de gestão directa e autoritária com pouca clareza na gestão?", interrogou-se o constitucionalista.

O advogado da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos João Nhampossa diz que para além da educação, saúde e habitação, os actores políticos deviam abordar também o sistema de justiça, cujo funcionamento, na sua opinião, deixa muito a desejar.

Para o jurista, o grande défice que Moçambique tem ao nível dos direitos humanos radica nas instituições de justiça pouco funcionais. Referiu que "quando se trata de matéria de direitos humanos não são céleres, são muito morosos, sobretudo quando envolvem algumas figuras políticas e o próprio Estado".

Refira-se que a campanha eleitoral cumpriu já o seu décimo quinto dia, dos 45 estabelecidos pela lei.

Ramos Miguel-VOA-Maputo

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