Links de Acesso

Eleições brasileiras: Economia preocupa eleitorado

  • Maria Cláudia Santos

O medo do desemprego e da inflação preocupam 19% da população, de acordo com pesquisa do Instituto Data Folha.

A inflação está entre os temas que preocupam muito os brasileiros nestas eleições 2014, é o que revelam as últimas sondagens.

O fantasma voltou a rondar a vida do eleitor que pode, no dia 5 de Outubro, ser influenciado pelo ameaça da subida de preços, que já assustou tanto o país em décadas passadas. Juntos, o medo do desemprego e da inflação preocupam 19% da população, de acordo com pesquisa do Instituto Data Folha.

Para o economista Roberto Dumas, a situação atual da economia brasileira justifica esse temor. "Nós estamos praticamente indo para uma tempestade perfeita no ano que vem. Eu não estou fazendo projeção nenhuma. É só ver o que já aconteceu. Estamos com a inflação no teto da meta, 6,5%, sem considerar o preço da gasolina, da energia elétrica, dos transportes urbanos que estão sendo segurados. Se você soltar esses preços a inflação chega a, mais ou menos, 9%. Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que liberar esses preços. Não importa quem vença. A situação ou a oposição, você vai ter que em algum momento arrumar a casa".

O economista Eduardo Coutinho, coordenador do curso de administração do Ibmec, lembra que mesmo sem racionalizar o bolso vai influenciar o voto nessas eleições. "O fato é que, quando o nosso bolso é afetado, automaticamente, isso altera o nosso processo de decisão. A inflação afeta o nosso bolso instantaneamente. O baixo crescimento também. Na medida em que a renda começa a crescer mais devagar, a geração de emprego diminui e os preços das coisas começam a subir, as pessoas percebem, ainda que elas não conseguem racionalizar e isso vai ter impacto no processo de decisão delas," afirma.

A preocupação com a inflação, com o aumento de preços que afeta o cidadão na hora das compras, também atinge o ambiente de negócios. "A questão do crescimento econômico vem como o resultado de um ambiente propício ao desenvolvimento dos negócios. Esse ambiente significa inflação baixa e estabilidade de regras. A retomada do crescimento para os próximos anos vai implicar inicialmente em um ajuste da economia, numa sinalização mais concreta do governo federal no controle da inflação e claro, viabilizar que o investimento venha".

Os investimentos estrangeiros também são atingidos pelo fantasma inflacionário, como lembra o especialista. "A decisão de investimento do empresário segue sempre o mesmo propósito. O investidor olha o presente, mas, acima de tudo, a perspectiva em relação ao comportamento de algumas variáveis. Ou seja, se há um cenário futuro de estabilidade da inflação e estabilidade jurídica, a decisão de investimento é automática. A questão da atratividade do investimento estrangeiro ela anda junto da decisão de investimento interno. O empresário só vai investir se houver uma sinalização clara de estabilidade para o futuro."

Para Eduardo Coutinho, grandes desafios esperam o novo governo. "Na verdade, nós temos dois grandes desafios, um é a retomada do crescimento econômico. Nós estamos pelo quarto ano seguido com um crescimento econômico muito baixo. Associado a isso, temos a questão da inflação. Nós também estamos no quarto ano seguido no topo da meta, próximo de 6,5% ao ano. Se a gente continuar no ritmo de crescimento baixo que estamos, com inflação alta, é algo que se preocupar. O que se espera do próximo governo, qualquer que seja ele, é que sinaliza para a sociedade o controle da inflação, que viabilize a economia crescer, o que é bom para todo mundo".

XS
SM
MD
LG