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Romney poderá ter mais votos mas perder as eleições

  • João Santa Rita

Colégio Eleitoral decide quem vence e Obama tem ligeira vantagem nesse orgão. Ohio poderá ser o estado decisivo.

A uma semana das eleições, as últimas sondagens indicam que a corrida para a Casa Branca vai ser extremamente renhida. À escala nacional a média dessas sondagens indica uma ligeira vantagem para Mitt Romney, de menos de um por cento.




Mas a nível do Colégio Eleitoral Obama continua a usufruir de vantagem. E isso aventa a possibilidade de termos uma situação em que o candidato Republicano irá vencer o voto popular mas perder a presidência.

Porquê?Porque as eleições presidenciais americanas são na verdade feitas no chamado Colégio Eleitoral onde 538 delegados dos diversos estados e ainda do distrito de Colúmbia se vão reunir para decidir quem será o próximo presidente dos Estados Unidos.

Na verdade inicialmente a constituição americana não previa eleições directas para o presidente. Seriam delegados escolhidos pelos estados que votariam pelo presidente. Hoje a situação está ligeiramente modificada mas o eleitorado continua a votar por delegados a um colégio eleitoral.

Thomas Neale é um especialista em governo americano no serviço de investigação do congresso e diz que “hoje os americanos votam para o presidente em duas capacidades: como cidadãos americanos e em certa medida como cidadãos dos estados onde residem porque é desse modo que se escolhem os delegados e é assim que se ganha a maioria no Colégio Eleitoral”.

Cada estado é representado no Colégio Eleitoral pelo número conjunto de membros que possui na Câmara dos Representantes e no Senado.

Por isso no Colégio Eleitoral a Califórnia, o estado mais populoso, tem 55 votos eleitorais sendo que 53 representam o número de membros da Câmara dos Representantes, e mais dois equivalentes aos seus senadores. Wyoming, Alaska, Delaware, Vermont, os dois Dakotas têm apenas três votos cada porque só possuem um membro cada na câmara dos representantes e claro está como todos os estados dois senadores.

Há que notar ainda que com a excepção de dois estados, Maine e Nebraska, o sistema funciona na base de que o vencedor quando ganha no estado, ganha todos os delegados o que para Thomas Neale “causa algumas distorções”.

“Por exemplo na Califórnia os Republicanos podem contar com entre 40 e 45% dos votos mas não recebem qualquer voto no colégio eleitoral porque os Democratas têm o controlo firme da maioria na Califórnia,” acrescentou.

Isto significa portanto que para aqueles que seguem as eleições americanas o que importa não é o numero de votos na totalidade mas sim o número de delegados ao Colégio Eleitoral.

E daí que quando se olha para o mapa eleitoral dos Estados Unidos sabe-se que alguns estados estão firmemente na mão dos Democratas como é caso da Califórnia ou Washington e outros firmemente na mãos dos Republicanos como o Texas ou o Kansas.

Para as campanhas eleitorais, portanto, a ciência deste sistema jaz na aritmética ou seja somar o numero de delegados para atingir os 270 delegados necessário para vencer a votação no colégio eleitoral.

Os candidatos concentram-se assim naqueles estados onde a maioria não é certa e é por isso que este ano se tem visto Barack Obama e Mitt Romney a concentrarem-se em estados como o Ohio, Virgínia, Michigan ou Wisconsin.

Na verdade e tendo em conta a aritmética de todos os outros estados os analistas acreditam que para Mitt Romney será muito difícil senão impossível vencer as eleições caso ele não vença estados como a Virgínia e o Ohio, particularmente este último.

A última vez que um presidente ganhou o Colégio Eleitoral, com a minoria dos votos, foi em 2000 quando George Bush foi eleito graças à sua controversa vitória no estado da Florida que lhe deu o número de delegados suficientes para vencer no Colégio Eleitoral embora Al Gore tivesse obtido a maioria do voto popular.

Há também sempre a possibilidade – que nunca aconteceu - de estarmos perante um Colégio Eleitoral de 538 membros dividido ao meio com 269 delegados para cada lado.

Nesse caso a Câmara dos Representantes escolhe o presidente. O Senado escolhe o vice-presidente. Tendo em conta que a Câmara dos Representantes é dominada apelos Republicanos e o Senado pelos Democratas isso seria uma situação sem dúvida … interessante.
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