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Egipto: Persiste o braço-de-ferro entre apoiantes de Morsi e o governo interino

  • Elizabeth Arrott

Segundo a correspondente da VOA, Elizabeth Arrott, dezenas de milhares de manifestantes continuam a permanecer nos locais desafiando o ultimato das autoridades que ameaçam recorrer a força para os dispersar

O governo egípcio voltou a advertir aos apoiantes do presidente deposto Mohamed Morsi, que as concentrações anti-governamentais podem ser dispersadas a qualquer momento pelas forças de segurança.

No principal ponto de concentração anti-governamental no Cairo é difícil dizer que aumenta a ameaça que paira sobre os participantes.

Nas ruas em torno da mesquita Rabaa al Adaweya, um grupo de jovens jogam o futebol. As crianças aplaudem os jogadores, e parecem abstraídos da advertência do governo cujas consequências podem ter lugar a qualquer momento.

Mas os manifestantes ai dizem-se prontos. Têm comida, água, geradores de electricidade e até mesmo televisões vias satélite.

É uma cidade dentro de uma outra cidade e apesar da ameaça do cerco pelas forças de segurança, a polícia continua distante e mais pessoas vão chegando ao local.

Mustafa Mahmud um reformado acompanhado de dois filhos ainda crianças, acaba de chegar ao local. Ele tem ido a esse local todos os dias desde o início de Julho, altura da deposição do presidente Mohamed Morsi.

Mahmaud até conhece ponto a ponto os locais da zona onde as pessoas foram mortalmente atingidas nos confrontos anteriores com a polícia.

Diz ele que ali é o lugar de um mártir, outro acolá, e foram improvisados memoriais. Mahmud acrescenta esperar que não haja mais violência.

Mahmud diz ter sentimentos que são todos, um projecto de mátires. E vira-se para um grupo de jovens e pergunta se têm medo. Os mesmos respondem que não, e Mahmud concluiu afirmando que tudo está nas mãos de Deus.

O governo considera esses locais de concentração, uma ameaça a segurança e evoca provocações de alguns dos membros dos manifestantes, que durante os protestos provocam a interrupção do trânsito na cidade.

Os enviados internacionais estão a tentar uma solução para o impasse e ontem Domingo o Sheikh de Al-Azhar ofereceu em mediar as negociações.
Mas a oferta do líder clérigo sunita foi rejeitada pelos manifestantes. Mohamed Sultan um voluntário responsável pela comunicação dos grupos dos manifestantes, justifica.

“O Ahmed el Toyed, que tomou parte, e que é a face religiosa desse golpe militar, vem agora ao público dizer “olhem, estamos a propor uma forma mediação, seja lá o que for.” Isso é inaceitável. Imaginem só, dizer isso a mãe de um mártir.”

O entrevistado diz que a reinvestidura de Mohamed Morsi não é negociável. Afirma que não têm nada, e que a outra parte tem armas, o exército, a imprensa, o poder judiciário e dinheiro, e não querem fazer compromissos.

O governo egípcio qualifica os manifestantes como radicais perigosos e certamente animados pela retórica islamita. Mas para muitos deles, essa visão das autoridades egípciasé errada.
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