Links de Acesso

Países lusófonos querem criar rede de empresas

  • Maria Cláudia Santos

A ideia é criar uma rede que deverá envolver mais de cinco mil companhias nos oito países lusófonos.

Representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinaram, um protocolo de parceria para a criação de uma rede de empresas, nos países lusófonos, que vai facilitar os negócios nos blocos económicos em que cada um dos países da comunidade está integrado.
O protocolo foi assinado pela Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, a Associação Industrial Portuguesa, e a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Económico e a Cooperação no encerramento do 7º Encontro de Negócios na Língua Portuguesa, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O projecto vai contar com o apoio da União Europeia e de empresas portuguesas. A ideia é criar uma rede que deverá envolver mais de cinco mil companhias nos oito países lusófonos.

Pela proposta, cada país abriria o acesso ao bloco económico de que faz parte aos outros membros da CPLP. No caso, o Brasil facilitaria os negócios no Mercosul e Portugal, por exemplo, na União Europeia.

Ainda no encontro em Belo Horizonte, foram discutidos: a possível construção de um grande porto de distribuição de mercadorias para a Europa e a África em Cabo Verde e um projecto conjunto, entre Brasil e Moçambique, para produção de etanol.

Para o presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Raul Penna, um dos organizadores do encontro, as conversas iniciadas no evento podem resultar em grandes negócios e projectos. “A gente sente o semblante das pessoas saindo com a sensação que têm um grande projecto em mente, um grande projecto em vista. Penso que no sector hoteleiro, de turismo, houve muito interesse. Em São Tomé e Príncipe, por exemplo, com praias maravilhosas, com um povo afável, ameno. São olhares que só um encontro como esse permite”, afirma.

De acordo com Raul, outro importante projecto discutido, que poderia, inclusive, contar com financiamento da nova directoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para a África – anunciada no encontro - seria na área do Etanol, entre Brasil e Moçambique.

“Moçambique está, mais ou menos, no mesmo hemisfério do Brasil e as características dos terrenos são de cerrado. Quem sabe nesse cerrado não seja possível fazer um grande projecto de produção do etanol, com plantação de cana-de-açúcar e produção de açúcar e álcool. Ele é muito mais viável assim, porque pode haver sobra da produção aqui e exportação para lá e vice e versa. Seria complementar”. No evento, como explica Raul Penna, foi debatido, ainda, um projecto que Cabo Verde gostaria de emplacar, por estar localizado estrategicamente entre a América, a África e a Europa.

“Talvez pudesse ser criado um grande porto que recebesse todas as encomendas e ali fizesse a distribuição para os outros países da África e da Europa. Como acontece em Singapura, país com dimensão de uma cidade, que é um caso de sucesso porque conseguiram fazer essa distribuição. Então, eu acho que pela localização de Cabo Verde é possível conseguir algo assim”.

O projecto de construção de um porto em Cabo Verde poderia vir como resposta a um dos empecilhos dos negócios entre Brasil e África: a dificuldade com o transporte marítimo. Eduardo Bortot, empresário mineiro do ramo de saneamento, proprietário da Acqua Nova, empresa que vende equipamento para tratar água desistiu de fazer negócios com Angola por causa do alto custo e da demora do transporte.

“Comercializamos com Angola há três anos, mas a maior dificuldade era transporte, preço e demora na entrega. Chegando a levar até 60 dias para ser entregue um produto em Luanda com um custo totalmente inviável para a operação, para o negócio”, desabafou.

Mostrar Comentários

XS
SM
MD
LG