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Economistas cépticos em relação a um acordo entre o FMI e Angola

  • Manuel José

Fonte do Governo admite muitas divergências entre as duas partes.

A primeira ronda de negociações entre o Executivo angolano e o Fundo Monetário Internacional (FMI)sobre o Programa de Financiamento Ampliado solicitado por Luanda pode terminar sem que as partes cheguem a um acordo.

A equipa de peritos do FMI, que está em Luanda desde o dia 1 de Junho, termina a sua missão na próxima terça-feira, 14, e, segundo fontes próximas do Governo angolano, o acordo entre as partes está longe de acontecer.

Economistas angolanos que acompanham com alguma expectativa o desenrolar das negociações também têm a mesma convicção.

A equipa do FMI liderada pelo brasileiro Ricardo Velloso desdobra-se em contactos com vários departamentos do Executivo com vista à definição dos moldes do Extended Fund Facility, (Programa de Financiamento Ampliado).

''Estou muito optimista que estas conversações entre o FMI e o Executivo poderão encaminhar a bom porto e Angola beneficiará desta ajuda financeira do FMI ou inclusive uma ajuda técnica apenas'', disse o economista Fernando Vunge ao microfone da MFM.

Emilio Londa, também economista,disse, no entanto, que “provavelmente poderemos não ter acordo entre o FMI e o Governo porque o montante máximo possível que Angola pode alocar é de 4, 5 mil milhões de dólares num prazo de três anos e Angola precisa de um fluxo de receita de 10 mil a 15 mil milhões de dólares por ano”.

Para Londa, mesmo que o FMI empreste num intervalo de quatro anos um valor de quatro mil milhões de dólares terá uma presença muito forte cá, nas decisões do Executivo angolano, apesar de, segundo disse, “ter algumas dúvidas”.

Quem também não põe muita fé que as partes cheguem a um acordo é Carlos Rosado de Carvalho.

''Se o Governo tivesse mesmo interesse em fazer acordo com o FMI já o teria feito porque o que está em causa aqui é o Orçamento Geral do Estado de 2017, ano eleitoral, eu não estou a ver o Governo a assumir o acordo porque não vai fazer um OGE em 2017 como quiser, vai ter de submeter-se ao FMI”, explica Carvalho, para quem “o problema é político e não de Estado''.

Outro especialista que não acredita num acordo é Precioso Domingos por considerar que as quotas de Angola no FMI são insuficientes.

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