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Moçambique perde anualmente 500 milhões de dólares por causa da corrupção, diz o CIP

  • VOA Português

A cultura de impunidade perpetua a corrupção em Moçambique, considera pesquisador do Centro de Integridade Pública.

A corrupção custou anualmente 500 milhões de dólares americanos à economia moçambicana, entre 2002 e 2014, indica um estudo do Centro de Integridade Pública (CIP).

O estudo “Os custos da corrupção para economia moçambicana” analisou práticas ilícitas em sectores propensos como finanças públicas, alfândegas, polícia, saúde, educação construção, pescas, telecomunicações, meio ambiente e recursos naturais.

O estudo junta-se a outras análises que apontam que a corrupção em Moçambique é resultante das fragilidades das instituições do Estado.

Baltazar Fael, pesquisador do CIP disse à VOA, que o país não tem uma estratégia clara para travar a corrupção, que resulta, entre outros aspectos, na continuidade da pobreza, fraca qualidade de serviços públicos e deficiente mão-de-obra.

“A existente (estratégia) não tem metas, nem objectivos”, e o governo não está a levar a sério o combate, contrariamente às promessas que o Presidente Nyusi fez quando tomou a posse, disse Fael.

“É uma autêntica decepção,” sublinhou Fael, para quem a “cultura enraizada de impunidade” é um dos factores que perpetuam a corrupção.

Por outro lado, disse Fael, a impunidade faz com que as “pessoas se orgulhem de ter bens obtidos por via da corrupção”.

Ele criticou o facto de instituições como o Gabinete de Combate à Corrupção normalmente tratarem de casos de “pequena escala, que envolvem funcionários da baixa e média administração”.

“Os funcionários de topo ou titulares de cargos políticos nunca são levados ao tribunal neste país”,criticou Fael.

No seu estudo, o CIP propõe, entre outras medidas, o fortalecimento das instituições da justiça e a reestruturação do sector responsável pelas compras do Estado.

O foco, recomenda, deverá ser para as áreas mais propensas à corrupção.

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