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Economia angolana com muitas interrogações

  • Manuel José

Banco Nacional de Angola

Analistas anteveem um 2017 muito difícil.

A economia angolana inicia 2017 com muitas interrogações, tanto por parte de analistas nacionais, como de observadores internacionais.

A revista Economist Intelligence Unit (EIU) volta a avisar, como fez meses atrás, que “há o perigo de um aumento dos protestos devido às contínuas dificuldades orçamentais no ambiente actual de preços baixos do petróleo".

“As repressões fortes sobre os críticos podem funcionar como um catalisador para mais instabilidade sustentada", diz o último relatório da revista, cujos analistas consideram que o partido no poder “vai continuar a agir com força, seja através de julgamentos mediáticos, esforços para restringir o acesso aos media electrónicos cada vez mais usados pelos apoiantes da oposição ou pelo encerramento dos protestos públicos pelos serviços de segurança, suprimindo assim tudo o que entender ser uma ameaça séria à sua hegemonia".

A nível interno alguns economistas dizem acreditar que a situação económica e social do país em 2017 não será agradável para os cidadãos.

Num debate na televisão Zimbo, o economista Lago de Carvalho afirmou que o Executivo angolano continua a avaliar erradamente os projectos de investimentos e citou alguns exemplos, como “autênticos fiascos”.

Ele apresenta o caso do Porto do Lobito que, neste momento, não tem navios e serviços, num investimento que se gastou milhões de dólares, sem qualquer retorno.

Carvalho mencionou também futuros projectos contemplados no Orçamento Geral do Estado para 2017.

''Estão previstos dois portos novos em Angola, onde se pensa gastar 1,3 mil milhões de dólares, o dinheiro não é meu, mas estamos a desperdiçar'', sublinhou o economista, para quem “o programa de diversificação da economia do Governo não tem pernas para andar”.

Fausto Simões, outro economista, considerou também que “o processo de diversificação da economia está com um protagonismo exagerado do Estado e não deve ser assim, o privado deve ser o protagonista principal, enquanto o Estado devia servir apenas como regulador''.

Fernando Heitor, economista e deputado da UNITA criticou a forma como os projectos são feitos no país.

“É uma euforia pra fazer tudo, mais alguma coisa em pouco tempo que é de bradar aos céus, não é assim que se faz economia, não é assim que se governa, as coisas em economia têm o seu timming devem atingir o seu período de maturação, nós queremos fazer tudo ao mesmo tempo”, criticou.

Por seu lado, Suzana Melo, economista ligada ao MPLA, é mais optimista e prevê algumas metas a atingir em 2017.

“Creio se a inflação baixar como se garante para 15 por cento, se for reajustado o salário da função pública, poderá haver estabilidade do poder de compra, atendendo que os preços da cesta básica estão a regressar as níveis anteriores'', concluiu.

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