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"Dívida do Estado compromete gerações futuras", alerta especialista

  • João Marcos

Carlos Rosado de Carvalho

Carlos Rosado de Carvalho questiona exploração de recursos naturais em Angola

O Governo angolano está a gastar recursos naturais que seriam para gerações futuras, sobretudo o petróleo, por força de uma dívida que se vem revelando insustentável.

O alerta é do economista e director do jornal Expansão, Carlos Rosado de Carvalho, num dos pontos de uma extensa entrevista concedida à VOA ainda antes do anúncio do pagamento de atrasados.

Rosado considera que a gestão da coisa pública não tem em consideração o que se pode chamar de solidariedade entre gerações.

“Temos de ter muito cuidado com a dívida, uma vez que já estamos a gastar o petróleo das gerações futuras. Como se não bastasse, vamos deixar impostos, é uma dupla penalização’’, sustenta Rosado de Carvalho.

Em 2016, o Governo alterou a lei que fixava em 60 por cento do Produto Interno Bruto o limite da dívida, quando, segundo algumas correntes, já se estava em 70 por cento.

Carlos Rosado de Carvalho percebe a complexidade da dívida, tendo em conta questões técnicas que podem ou não fazer parte das contas, mas adverte que Angola está com sérios problemas neste capítulo

‘’O nosso PIB depende muito do petróleo, é o problema da excessiva dependência. De qualquer forma, é bom que saibamos que já começamos a ter muitos problemas de sustentabilidade da dívida’’, explica o especialista.

Entre os 10 principais objectivos do Ministério das Finanças para o ano em curso, realçados pelo ministro Archer Mangueira, está a resposta à preocupação de analistas.

“Precisamos de conter os atrasados e aperfeiçoar a gestão da dívida pública’’, admite o governante, que olha para a aposta no homem como factor para o alcance de todos os objectivos.

Dados preliminares do FMI, patentes no portal do Banco Nacional de Angola, indicam que a produção de bens e serviços ao longo de 2016 ficou em 96.2 mil milhões de dólares, contra os 103 mil milhões do ano anterior.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) promete actualizar a informação sobre o PIB de três em três meses.

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