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Desemprego: OIT diz que existem 62 milhões de desempregados no mundo inteiro


Desemprego Mundial, 2003 - 2018 Fonte: OIT

Desemprego Mundial, 2003 - 2018 Fonte: OIT

Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que o mercado de trabalho global mantém-se desigual e frágil, apesar de alguns sinais encorajadores de uma recuperação da economia, que não evitaram o buraco de 62 milhões de desempregados no mundo inteiro.

No relatório anual da OIT observa-se um aumento do desemprego cerca de cinco milhões, a nível global, de 2012 para 2013. Alguns dos maiores problemas de desemprego estão no Norte de África.

Steven Kapsos, economista e um dos autores do relatório, diz que se verificou um ligeiro declínio no crescimento da economia e que isso se deveu essencialmente à fraqueza tanto de economias desenvolvidas como a Europa, como de países em desenvolvimento como a China, onde as taxas de crescimento começaram a ceder.

Os sinais de recuperação depois do colapso económico de 2008 não estão a resultar num número elevado de novos empregos, explica também o relatório.

"O preço das acções aumentou, o mercado da bolsa está em alta, os lucros das empresas estão num bom momento em muitos países – mas não vimos com isso um crescimento ou melhoras no mercado laboral. Vimos desemprego persistente. Estimamos que chegámos aos 200 milhões de desempregados em todo o mundo em 2013. E os mercados de trabalho não estão de facto a acompanhar a ampla recuperação da economia", acrescentou o economista.

Razões para o afrouxamento

O economista da OIT diz que existem várias razões para este afrouxamento. Para Kapsos está tudo relacionado com as políticas aplicadas após o início da crise, como a injecção de dinheiro nos mercados financeiros, que tem como risco as bolhas do mercado e os grandes picos nos preços das acções e nos preços das casas. Mas essa injecção por parte dos bancos não escorreu necessariamente para a economia real, o que pôde ter criado um efeito adverso no incentivo às empresas de contratar pessoas.

Mas é no Médio Oriente e no Norte de África onde se regista o maior número de desemprego, segundo o relatório da OIT.

Na África sub-saariana muitos países viram a sua economia crescer apesar da situação global ser o contrário. Mas as coisas não estão tão boas como em 2012, diz Kapsos.

Preço das mercadorias e mão-de-obra pouco qualificada são questões preocupantes

"A região da África sub-saariana ainda depende muito do preço das mercadorias (materiais necessários para produção do petróleo, agricultura e minerais) e como esses preços desceram um pouco em 2012, a economia também abrandou nesses países, que têm beneficiado no entanto de alguma estabilidade de preços", continuou Steven Kapsos, que ressalvou o facto de que existe muita mão-de-obra, mas que esta é pouco qualificada e por isso não existem bons empregos.

"Há um crescimento da população adulta relevante, factor favorável ao mercado de trabalho no que toca ao número de trabalhadores. Mas continuamos a assistir a uma prevalência do que chamamos empregos vulneráveis. Trabalhadores por conta ou trabalhadores familiares não remunerados", conclui.

Devido ao crescimento limitado no emprego assalariado formal e ao fraco crescimento do sector industrial, não se regista uma transformação estrutural que permita uma evolução da baixa produtividade agrícola para o sector da indústria.

Médio Oriente e Norte de África com pior cenário

A maior preocupação da OIT reside no número de desempregados nas regiões do Médio Oriente e do Norte de África, onde a taxa de jovens sem trabalho é a maior. Mas o problema do desemprego não é exclusivo.

A OIT diz que só no início deste ano já se regista um buraco de 62 milhões de desempregados no mundo inteiro e que é preciso coordenar melhor as políticas económicas, bem como os estímulos fiscais. Treinar os trabalhadores para empregos melhor pagos, empregando as pessoas para construir e melhorar infraestruturas e investir em sistemas de segurança social para proteger aqueles que percam os seus empregos, são algumas das sugestões deixadas pela organização.
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