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Desarmamento continua no centro do debate em Moçambique

  • Ramos Miguel

Em Moçambique, os recentes pronunciamentos do ministro do Interior, Basílio Monteiro, de que as armas espalhadas pelo país não constituem fonte de instabilidade, lançaram confusão por não se perceber qual é o caminho que as autoridades pretendem seguir, sobretudo em relação ao desarmamento da Renamo.

Depois de ter afirmado, na Assembleia da República, que as armas na posse da Renamo iriam ser recolhidas, Monteiro veio, novamente, a público dizer que as armas espalhadas pelo país não constituem ameaça.

Para o jurista José Machicame, esta é uma ambiguidade que é importante que se dissipe o mais rapidamente possível, "e adensa-se mais esta ambiguidade tendo em conta o facto de o Chefe de Estado ter, alguns dias depois do primeiro pronunciamento do ministro do Interior, defendido ponderação como uma forma de abrir uma avenida para uma solução política deste caso".

Para Machicame, "há aqui, claramente, pronunciamentos contraditórios que lançam uma confusão em relação àquilo que é a estratégia das autoridades no tratamento deste tema".

No debate que se faz em torno desta questão, pergunta-se como o desarmamento vai ser feito se a Renamo não entregar as armas, escudando-se nos acordos com o Governo.

Para o negociador-chefe da Renamo do acordo de Roma, Raúl Domingos, o Governo deve, com humildade, ouvir a voz da sociedade, considerando que "não se pode pretender que estamos num país em que se diz que só o Estado é que tem o direito de possuir armas".

O antigo número dois da Renamo destacou que "temos um acordo que prevê que a outra parte beligerante devia ter uma segurança que é feita pelos seus próprios homens, e esse acordo diz como é que isso deve ser feito dentro da legalidade".

Mas para o analista político, Calton Cadeado, Afonso Dhlakama excedeu-se ao manter um elevado número de homens armados e, nessa situação, ele arrisca-se, eventualmente, a ter pessoas que, individualmente, possam atentar contra o seu líder.

"Quantas pessoas, provavelmente, sem o sr. Dhlakama se aperceber, criaram nele uma elevada expectativa, mas frustraram-se com essa expectativa, e hoje essas pessoas, individualmente, podem estar a ter atitudes contra o líder da Renamo?", interrogou-se o especialista do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique.

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