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Deputada da UNITA diz que lavagem de dinheiro faliu o maior banco público angolano

  • João Marcos

Navita Ngola que conhecer beneficiários do BPC

Navita Ngola acusa "mwatas" do MPLA, após avisos de banqueiro

Em fase de discussão do plano de recapitalização do Banco de Poupança e Crédito (BPC), já aprovado pelo Governo, a vice-presidente da bancada parlamentar da UNITA considera que os “roubos e a lavagem de dinheiro’’ determinaram a falência do maior banco angolano.

Navita Ngola afasta a tese do crédito malparado, ainda que se fale em prejuízos superiores a mil milhões de dólares, e alerta para a falta de liquidez até para o pagamento de salários a funcionários públicos.

Há dois anos, com a crise a provocar estragos na economia angolana, o banqueiro Fernando Teles, conhecedor do sistema financeiro, já emitia sinais de preocupação.

“Não vale a pena estarmos a apoiar gente que tem as mãos estendidas e que não aplica o dinheiro em projectos produtivos’’, advertia o Presidente do Conselho Segurança do Banco Internacional de Crédito (BIC).

Agora que o Banco de Poupança e Crédito (BPC) está na ordem do dia, a deputada Navita Ngolo, da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional, refere que os empréstimos não tinham como destinatário o verdadeiro produtor.

O país, diz a deputada, ignorou regras internacionais de gestão financeira.

“Os dinheiros do BPC e de outros bancos têm saído por telefonemas, a partir da Cidade Alta, e por intermédio de bilhetes. As pessoas vão com bilhetes aos bancos, sendo que aqueles que não produzem, figuras ligadas ao Presidente, conseguem avultadas somas. Usam o dinheiro para passear, põem-se em escândalos financeiros e até em tráfico de mulheres’’, acusa a parlamentar.

Navita Ngola, que não acredita na responsabilização dos culpados, faz recurso à falência do Banco Espírito Santo (BESA) para dizer que não se olhou a requisitos como o retorno e as garantias bancárias.

“Áreas estruturantes, como a agricultura, indústria e transportes, ficaram sem dinheiro, já que foi distribuído entre mwatas do MPLA, inclusive, como se diz, o candidato a Presidente da República. Eu queria saber se eles já devolveram o dinheiro. Portanto, o BESA e outros bancos funcionaram como um antro para a lavagem de dinheiro’’, vinca Ngola.

No discurso alusivo ao Dia da Paz e Reconciliação Nacional, o governador de Benguela, Isaac dos Anjos, membro do Bureau Político do MPLA, afirmou que os responsáveis por estas situações merecem o benefício da dúvida.

A recapitalização e reestruturação do BPC é da responsabilidade do Ministério das Finanças, um dos accionistas, em nome do Estado.

Completam a estrutura acionista, o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) e a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas.

A VOA não conseguiu obter reacções à suposta ligação de figuras do regime angolano ao crédito malparado.

Vale lembrar que as autoridades nunca se opuseram a notícias nesse sentido.

Há duas semanas, soube-se que Job Capapinha, deputado do MPLA, e Noberto Fernandes dos Santos, governador de Malange, têm dívidas no Banco Internacional de Crédito e podem, em menos de 40 dias, ver penhorados os seus bens, jáhipotecados, de acordo com o anúncio do Tribunal Provincial de Luanda publicado no Jornal de Angola.

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