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Defesa não consegue impedir que Lula seja investigado


Luiz Inácio Lula da Silva, abraça Dilma Rousseff

Luiz Inácio Lula da Silva, abraça Dilma Rousseff

Patrick Vaz

A defesa do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu suspender o inquérito aberto contra ele sobre um suposto tráfico de influência internacional em favor da construtora Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

Porém, a Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Púbico brasileiro determinou que o procurador Valtan Timbó preste esclarecimentos até esta semana sobre esse inquérito aberto contra Lula. A abertura ou não de um procedimento disciplinar vai ser decidida após esses esclarecimentos.

As investigações se baseiam em viagens internacionais realizadas pelo ex-presidente Lula que teriam sido pagas pela Odebrecht. Essas viagens “patrocinadas” pela Construtora teriam sido feitas para Cuba, República Dominicana, Gana e Angola, entre 2011 e 2014.

A Odebrecht informa por meio de nota que mantém relação institucional com Lula e que ele foi convidado exclusivamente para dar palestras, a exemplo de ex-presidentes de outros países. O Instituto Lula avalia a abertura de inquérito como um "procedimento absolutamente irregular, intempestivo e injustificado".

A revista brasileira "Época" divulgou documentos que mostram que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fechou o financiamento de, ao menos, US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht. o Negócio foi feito depois do ex-presidente Lula se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana.

Ainda conforme a revista, Lula teria intermediado obras de modernização de aeroportos e portos, rodovias e aquedutos, todas com empréstimos de baixo custo do BNDES em países alinhados com Lula e o PT.

Essa denúncia de suposto tráfico de influência internacional contra Luis Inácio Lula da Silva ocorre num momento em que o nome dele ganha força para uma possível disputa eleitoral em 2018.

A Presidente Dilma Rousseff não mais poderá concorrer à reeleição e o actual cenário político e económico no Brasil é desfavorável. A imagem dela e do Partido dos Trabalhadores estão em queda acentuada, conforme as últimas pesquisas.

Para o cientista político Carlos Ranulfo, as investigações contra Lula aparentam ter um interesse maior de opositores para desgastá-lo desde já para uma futura corrida eleitoral. Ranulfo também ressalta que o ex-presidente é sim um candidato forte, o melhor nome para o Partido dos Trabalhadores no momento, mas não o favorito nas pesquisas.

“O Lula pode ser efetivamente um candidato, embora dado o atual desgaste do Partido dos Trabalhadores e da gestão da Presidente Dilma Rousseff, ele deixou de ser o favorito para a próxima corrida eleitoral. Lula saiu da condição de imbatível, mas seria, sim, um candidato forte,” afirma.

Apesar do momento instável vivido pelo Governo Petista e pela força do ex-presidente no Brasil, Ranulfo acredita que Lula possa descartar a próxima disputa eleitoral. Depois de presidir o Brasil, por oito anos e deixar o cargo com uma grande aprovação pública, repetir o feito pode ser muito complicado e pouco inspirador.

“Acho que ele nunca teve a intenção de voltar à Presidência. Ele pode até estar estimulado a isso na medida em que ele comece a perceber que ele é a única alternativa para evitar um resultado muito ruim para o PT em 2018. Seria uma candidatura quase que de sacrifício. E como eu disse, o Lula não é mais imbatível. As pesquisas têm mostrado que se ele fosse candidato hoje estaria disputando em segundo lugar”, concluiu.

Sobre uma possível futura prisão do ex-presidente Lula, Ranulfo acha pouco provável, uma vez que as denúncias não são tão sólidas e, além disso, foram feitas num momento em que o petista não mais estava à frente do Governo Federal.

"Acho que não há nenhum indício. Acredito que as denúncias são muito preliminares e com pouca base factual. Os próprios dois procuradores de Brasília que estão à frente desse processo foram questionados pelo Supremo Tribunal Federal. As denúncias são do período em que o Lula não era mais o Presidente da República. Não vejo muita fundamentação nas denúncias pelo que foi divulgado até agora”, destacou.

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