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Trabalhadores da Cruz Vermelha de Angola sem salários há seis meses

  • João Marcos

Isabel dos Santos

Isabel dos Santos

Sede da organização cortou subsídios e responsabilidade é atribuída à presidente Isabel dos Santos.

Seis meses de salários em atraso constituem o principal indicador de um cenário de crise na Cruz Vermelha de Angola (CVA), que tem como presidente Isabel dos Santos.

Fontes bem posicionadas indicam que a filha do Presidente da República, igualmente PCA da Sonangol, está aquém dos desafios de uma organização de utilidade pública.

Os atrasos salariais, que afectam mais de cem funcionários em todo o país, são descritos como um de vários males de uma organização que não realiza assembleias desde 2006, o ano da eleição de Isabel dos Santos.

De acordo com secretariados provinciais, a Cruz Vermelha de Angola (CVA), suplantada pelas congéneres da Namíbia e de Cabo Verde em termos de funcionamento, viu o Comité Internacional da Cruz Vermelha cortar-lhe o financiamento para projectos que reforçariam a assistência humanitária.

A desorganização, dizem as mesmas fontes, está na base deste corte, que se junta a um outro, o do Ministério da Saúde, organismo que assegurava os ordenados.

Quem testemunhou o trabalho da CVA em tempo de conflito, como é o caso de João Guerra, que esteve num movimento de paz da Igreja Católica, admite que sente saudades, ainda que o contexto seja diferente.

“Uma organização que vela pelas pessoas, nem tanto pelas pessoas que sofrem com a guerra, há muita catástrofe natural. A CVA não esteve só em Angola, também em outros países onde as sociedades e os governos não conseguiam dar resposta a certas dificuldades’’, realça Guerra.

Conhecida figura da sociedade civil, João Guerra olha para a saúde, numa altura em que a proliferação do lixo agita as cidades, e lança um aviso.

“Não seria bom que desaparecesse, tal como está a desaparecer. Andou sempre na luta contra a Sida, uma doença que não desapareceu do mundo. Agora, como vemos, há probabilidade de surgir a cólera, que nada tem que ver com a guerra. Portanto, o ser humano precisa muito desta organização’’, finaliza Guerra.

Por via de telefonemas e mensagens de textos, a VOA tentou contactar o secretário-geral da organização, Walter Quifica, apontado em relatórios como tendo dado destino errado a largos milhões de Kwanzas, mas sem sucesso.

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