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Crise política agudiza-se no Brasil

  • Patrick Vaz

As perspectivas de um ano novo melhor para os brasileiros acabaram com o processo de impeachment contra a Presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Especialistas acreditam que 2016 será um ano mais instável e inseguro para a população principalmente na política e na economia.

A decisão tomada pelo líder da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em aceitar o pedido de impeachment feito pelos opositores da governante petista vai gerar grandes perdas para toda a população, defende a Cientista Política Mara Teles.

“Acho que esse pedido de impeachment do Eduardo Cunha primeiro pode reaglutinar toda a base eleitoral da Presidente Dilma, que está hoje se posicionando absolutamente de modo contrário e mesmo aqueles eleitores afastados dela podem se sentirem atingidos também no seu direito, uma vez que ela foi eleita. Acredito que isso pode gerar um clima muito grande de acirramento político no país, que até então demonstrava que ficaria enfraquecido. As pessoas estavam mais tranqüilas e aceitavam o mandato dela, apesar das críticas. Entendo que essa decisão pode ser um tiro no pé, pois pode reaglutinar a base no legislativo e na sociedade. Pelo menos até agora a base dela não aceita o pedido de impeachment”.

Os impactos na economia brasileira também devem ser profundos, de acordo com a Cientista Política.

“Do ponto de vista econômico também têm efeitos muito sérios. Acabamos de votar uma nova fórmula para o superávit para poder evitar que o Brasil tenha problemas econômicos mais sérios. Parecia que o clima no Congresso era de maior tranqüilidade, mas depois de um pedido de impeachment isso pode gerar incertezas por parte dos próprios investidores. Isso pode aumentar ainda mais as crises econômica e política. A crise econômica produz mais crise política, que por sua vez alimenta mais problemas econômicos”, ressaltou.

Mara Teles também conclui que o pedido de impeachment contra a Presidente Dilma não traz benefícios para o Brasil. Pelo contrário, todos saem perdendo.

“Acredito que esse pedido de impeachment não faz bem para o país, não faz bem para a oposição que também vai ficar descredenciada porque para apoiar o impeachment ela terá que dar as mãos ao Deputado Eduardo Cunha que será cassado. Também não faz bem ao próprio governo que mais uma vez vai ter que paralisar tudo para discutir como se defender. Acho um péssimo momento para isso ocorrer no país.

O economista Paulo César Feitosa também entende que a abertura do processo de impeachment contra a governante brasileira neste momento atrasa ainda mais a tomada de importantes decisões que poderiam trazer um pouco de estabilidade para o país.

“A situação pode ficar ainda pior no ano de 2016, que já não era um ano que tinha previsões otimistas. As decisões que deveriam ser tomadas agora, algumas delas até com urgência para que se criasse uma base mínima e com um ambiente de estabilidade e confiança para que a economia pudesse dar no mínimo um horizonte de previsibilidade aos empresários e esses pudessem retomar a confiança e investir no país tudo isso vai estar travado.

O documento protocolado contra a Presidente Dilma traz uma série de alegações técnicas e jurídicas para sustentar os argumentos de que ela deve perder o cargo por ter cometido crimes de responsabilidade como as pedaladas fiscais, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária.

O Deputado Eduardo Cunha justificou a decisão tomada contra a governante. “Não era esse o meu objetivo. E como eu volto a repetir, nunca em uma história de um mandato houve tantos pedidos de impeachment como ocorridos neste mandato”.

A Presidente Dilma Rousseff nega 'atos ilícitos' em sua gestão e se diz indignada com a decisão tomada pelo Deputado Eduardo Cunha.

"Recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro. São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam esse pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público", disse.

Em seu pronunciamento no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff foi irônica ao responder Eduardo Cunha sobre a idoneidade dela. Cunha é investigado por recebimento de propina e desvio de dinheiro para contas fora do Brasil.

“Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses. Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública".

O líder da oposição e presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, ressalta que o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff está bem sólido.

“A peça produzida pelos juristas Miguel Reale e Hélio Bicudo é uma peça extremamente consistente. O que existe neste momento é um sentimento de todos nós da prudência para que esse processo possa ter o seu trâmite adequado”.

*texto escrito segundo a ortografia do Brasil
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