Links de Acesso

Crise energética na África do Sul impulsiona empresas de energia solar

  • Redacção VOA

A África do Sul enfrenta uma crise energética sem precedentes. Apagões eléctricos continuam a ocorrer em todo o país, enquanto a empresa que tem o monopólio da produção eléctrica, a Eskom, enfrenta uma crise cada vez maior. Mas a crise tem um lado positivo: está a chamar a atenção dos sul-africanos para fontes alternativas de energia.

Um gerador movido a diesel gera eletricidade para um restaurante em Johanesburgo. Pelo terceiro dia consecutivo, grandes áreas da cidade não têm energia.

A dona do restaurante, Heidi Welman, gasta centenas de dólares por mês para abastecer o seu gerador, a fim de manter o negócio a funcionar.

Como milhões de outros sul-africanos, Welman está furiosa com a companhia de energia Eskon, que não mantém acesas as luzes do seu negócio. "O maior problema para mim é que, como pode o director da companhia ganhar 22 milhões de rands por ano, se eles não têm dinheiro para resolver os problemas da própria empresa?”, pergunta.

Crosby Menzies fundou a SunFire, uma companhia de energia solar no quintal da sua casa num subúrbio de Johanesburgo há 10 anos. Naquele tempo, segundo ele, uma crise de energia na África do Sul era inimaginável.

O país era conhecido por ter um dos melhores sistemas de eletricidade entre os Estados em desenvolvimento.

Menzies diz que, até recentemente, gerar energia com a luz solar era visto como uma ideia de conservadores lunáticos.

“Nós éramos vistos como pessoas estranhas. Havia analistas de negócios que diziam que era impossível gerir uma empresa que vendesse esse tipo de produto”, diz.

Mas com os apagões, a situação mudou. Os sul-africanos estão a adoptar produtos movidos a energia solar, como a parabólica solar para cozinhar alimentos.

O sócio de Menzies, Zander van Manen, descreve o produto como uma lupa ao contrário.

Para fazer a parabólica solar funcionar, basta dirigi-la em direcção ao sol. O produto reflete a luz solar em um único ponto, onde há suporte para uma panela, que fica quente e coze os alimentos rapidamente.

A luz do sol é tão forte que quando Van Manem segura um pedaço de papelão à sua frente, ele se incendeia em segundos.

Menzies diz que 20 minutos de luz solar é o suficiente para que a parabólica faça uma refeição.

“Este é um modo limpo de cozinhar, e nós estimamos que poderia diminuir a energia gasta para cozinhar alimentos no país em 80 por cento”.

Menzies afirma que utilizar a luz solar para gerar eletricidade faz sentido num país com tantos dias de sol.

Segundo ele, há muitos cidadãos que querem diminuir a sua dependência da Eskom porque também o preço da eletricidade está a crescer. Ele afirma que os cidadãos chegam a pagar agora 350% a mais do que pagavam antes da crise.

O fundado da SunFire Crosby Menzies acredita que, quando a crise energética da África do Sul atingir o auge nos próximos anos, muitos residentes irão investir em energia solar e o preço será bem menor.

XS
SM
MD
LG