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Crise energética em Benguela apesar de barragem reinaugurada

  • João Marcos

Barragem de Lomaum a meio gás

Moradores dizem ficar sem energia durante até 48 horas

Três turbinas em instalação no Lobito, província de Benguela, vão garantir 84 mega watts de electricidade, cifra superior à projectada para a fase inicial da barragem de Lomaum, que funciona a meio gás.

As máquinas foram importadas da Hungria, desconhecendo-se o valor da operação.

Entretanto, a crise energética continua na província.

Os municípios de Benguela, Lobito, Catumbela e Baía Farta, com cerca de dois milhões de habitantes, contam com uma produção que varia entre 60 e 70 mega watts, basicamente assegurada por centrais térmicas.

Uma quantidade insignificante é garantida pela barragem de Lomaum, reinaugurada há mais de um ano, altura em que o discurso oficial apontava para 50 MW.

Longe do que se pretendia, chegando a ficar na estaca zero devido à falta de uma albufeira capaz de reter água em tempo chuvoso, a hidroeléctrica é equiparada, sobretudo em círculos políticos, a um “embuste”.

A directora provincial da Energia e Águas, Jandira Ribeiro, em entrevista a vários órgãos de comunicação social, chegou a admitir que o acto de reinauguração, mais de 30 anos após a paralisação, foi algo precipitado.

Em tempo de crise na distribuição, com centenas de famílias sem energia durante 48 horas, facilmente se percebe que as turbinas são um motivo de satisfação, insuficientes, porém, para acabar com a inquietação nas comunidades.

“Aqui já não falamos de luz, não sabemos quando teremos. É o principal problema, não temos claridade, às noites, nem formas para conservar alimentos’’, reclamam moradores de diferentes comunidades.

As autoridades esperam que este sentimento chegue ao fim dentro de 45 dias, conforme o director regional para as turbinas, Nsuka Uan Nsuka.

“A parte mecânica da montagem vai em 70 por cento. Esperamos que na primeira semana de Maio possamos efectuar ensaios. Depois, em finais de Maio ou princípio de Junho, as turbinas estarão integradas na rede de distribuição’’, revela aquele responsável.

O défice, resultante de avarias técnicas no sistema de produção, é de 43 por cento.

A barragem hidroeléctrica terá custado ao Estado cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos, correspondentes a três orçamentos anuais da província de Benguela.

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